11/09/2026
Se não aprender a votar, não adianta reclamar.
𝗢 𝗖𝗔𝗙É 𝗗𝗢𝗦 𝗣𝗢𝗟Í𝗧𝗜𝗖𝗢𝗦
Uma crônica de Teresa Scherer
Tem gente que escolhe políticos como quem escolhe time de futebol.
Veste a camisa, grita, xinga o adversário, defende o indefensável e, se alguém ousar questionar seu candidato de estimação, pronto: está armada a terceira guerra mundial na mesa do almoço de domingo.
Amizades acabam. Famílias se dividem. Grupos de WhatsApp viram verdadeiros campos de batalha.
Tudo por causa do político.
E o mais curioso é que, enquanto o povo briga de um lado, os políticos, muitas vezes, estão tomando café juntos do outro.
Talvez até rindo da nossa cara.
Porque nós discutimos partidos. Eles discutem alianças.
Nós defendemos candidatos. Eles negociam apoios.
Nós carregamos bandeiras. Eles mudam de direção conforme sopra o vento eleitoral.
E nós?
Nós acreditamos.
Acreditamos na promessa da saúde que vai melhorar, do transporte que vai funcionar, da escola que vai transformar vidas, do emprego que vai chegar, da rua que finalmente será consertada.
Às vezes acreditamos tanto que nem nos damos ao trabalho de perguntar:
quem é essa pessoa que está pedindo o meu voto?
Qual é a sua história?
O que já fez?
O que deixou de fazer?
Como se comportou quando teve poder nas mãos?
Qual é a sua reputação?
Parece que basta um santinho bonito, um discurso inflamado e uma promessa bem ensaiada.
E lá vamos nós.
Há ainda aqueles que vendem o voto.
Trocam uma escolha que pode durar quatro anos por um pequeno benefício que, muitas vezes, não paga nem o pão com mortadela.
Depois passam quatro anos reclamando.
Reclamam do ônibus.
Reclamam do posto de saúde.
Reclamam da escola.
Reclamam da falta de emprego.
Reclamam da segurança.
Reclamam do preço das coisas.
Reclamam que a vida está cada vez mais difícil e que o país parece caminhar para um buraco sem fundo.
Mas será que ninguém percebe que o voto também tem consequências?
Não estou falando de escolher esquerda ou direita.
Nem de vestir azul, vermelho, verde, amarelo ou qualquer outra cor.
Estou falando de uma coisa muito mais antiga e, talvez, muito mais esquecida:
caráter.
Porque partido não tem caráter.
Quem tem caráter é gente.
Político não deveria ser animal de estimação.
Não deveria ser alguém que defendemos mesmo quando erra apenas porque "é do nosso lado".
Deveríamos cobrar de todos.
Dos que gostamos e dos que não gostamos.
Dos que votamos e dos que jamais votaríamos.
Porque democracia não é torcida organizada.
É responsabilidade.
E talvez esteja na hora de parar de perguntar apenas:
"Em quem você vai votar?"
E começar a perguntar:
"Por que você vai votar nessa pessoa?"
Porque as eleições de 2026 estão batendo à nossa porta.
Falta pouco.
Muito pouco.
Mais uma vez haverá promessas, discursos, abraços, bandeiras, jingles, santinhos, selfies e candidatos dizendo que agora, finalmente, tudo vai mudar.
E o povo?
Bem...
O povo vai continuar discutindo entre si.
Enquanto eles tomam café.
Talvez juntos.
Talvez escondidos.
E agora já não há muito tempo para indecisão.
A urna está logo ali.
A escolha também.
Talvez a maior pergunta deste momento não seja simplesmente quem vencerá as eleições de 2026.
Mas sim:
o que será de nós se continuarmos escolhendo políticos sem antes escolher, com consciência, os valores que queremos ver governando o nosso país?
Porque urna não faz milagre.
Quem coloca o futuro dentro dela somos nós.
— Teresa Scherer
Cronista e cidadã