18/10/2016
Nós, da CHAPA 2 - SIMPA FORTE E PELA BASE, queremos agradecer a receptividade que tivemos dos colegas em todos os locais de trabalho das mais diversas secretarias – principalmente do setor operário da categoria – a todos que apoiaram, divulgaram, debateram e votaram em nossa chapa. Agradecemos também o apoio dos trabalhadores terceirizados e dos trabalhadores estagiários, que concordam sobre a necessidade de incorporem-se em nosso sindicato a fim de superar a fragmentação da nossa classe – somente com a unidade dos trabalhadores poderemos construir a superação da exploração do homem pelo homem na perspectiva do socialismo.
Nos locais de trabalho, um discurso ecoava: estamos em um momento muito difícil para os trabalhadores e, para enfrentarmos tal situação, precisamos de um sindicato classista e combativo que não seja aparelhado por partidos políticos, que não concilie com o patrão, que as decisões passem por todas as instâncias do sindicato sem manipulação e acordo de bastidores; e que o sindicato não seja palanque eleitoral para eleições burguesas.
Sendo os desafios tão grandes diante da ofensiva do capital contra os trabalhadores precisamos estar cada vez mais fortes e organizados para enfrentar o momento, necessitamos de um sindicato que esteja a serviço dos trabalhadores.
Não foram poucos os desafios que tivemos durante as eleições, justamente por sermos oposição à atual direção do SIMPA (CEDS, PCdoB, PSOL/US, PSTU e MAIS). Porém, todas as dificuldades foram superadas por cada palavra de apoio e incentivo e por cada voto dado ao nosso grupo. Expressaram-se a confiança não apenas em nossa chapa, mas principalmente na força da categoria. Temos muita luta para tocar e é pela base que a mudança vai chegar!
A BUROCRATIZAÇÃO NAS ELEIÇÕES DO SIMPA
O processo eleitoral se caracterizou pelo autoritarismo burocrático, ausência de democracia: primeiro, pela própria constituição da comissão eleitoral que não foi definida em assembleias por locais de trabalho. Segundo, pelos curtos prazos em que as regras foram estabelecidas, não havendo debate algum – isso torna a eleição despolitizada e distante da categoria, atribuindo aos trabalhadores somente o papel de eleitor, sem envolvê-los na totalidade do processo eleitoral e da própria construção de seu sindicato. A exemplo disso, a direção do SIMPA organizou um debate entre os candidatos a patrões dos trabalhadores municipários, mas não pautou a construção de um debate entre as chapas concorrentes à eleição do sindicato no primeiro turno. Terceiro, porque o critério para início da campanha das chapas não foi paritário, uma vez que a chapa que teve condições de se inscrever primeiro possuiu vantagem de tempo de campanha. Da mesma forma, o pequeno prazo do processo eleitoral resulta em grandes dificuldades para a participação de uma chapa de oposição e não vinculada à burocracia – que, desprovida das informações privilegiadas de uma gestão antidemocrática, já sai em desvantagem diante de outras. Além disso, a direção do SIMPA não se empenhou, deliberadamente, em negociar as liberações para os colegas que seriam mesários (tendo a certeza apenas na véspera da eleição), menos ainda aos membros das chapas.
A chapa 1 (situação) conta com sete liberações sindicais (uma conquista de nossa classe que deve ser utilizada para organização da classe, trabalho de base e para as lutas contra os patrões e governos) o que a deixou favorecida na campanha em relação às demais chapas, por ter utilizado as liberações para a campanha de suas chapas, e não para o conjunto dos trabalhadores municipários. Deste mesmo modo operou a chapa 3, que possuía membros da ATEMPA também liberados fazendo campanha.
Descaradamente, todas as outras chapas tiveram ainda como prática atrelar a campanha para as eleições do SIMPA com as campanhas de seus respectivos candidatos às eleições burguesas: a chapa 1 (CEDS, PSTU, PSOL/MES, MAIS – todos da CSP Conlutas e PSOL/APS – Intersindical branca), ofereciam candidatos a vereadores e a prefeita e prefeito, a chapa 3 (PT/CUT e PCdoB/CTB) vinculava todo momento sua campanha com a de prefeito e a chapa 4 (PSOL/Alicerce – CSP Conlutas e PSOL/CST) distribuía os materiais da sua candidata a vereadora junto com os da chapa. Como podem defender a autonomia e independência do sindicato a governos quando os mesmo querem governar o capitalismo, e se utilizam do processo eleitoral sindical para promoverem seus candidatos a patrão?
Além disso, tivemos problemas quanto à lisura do processo em alguns locais pelo fato das urnas serem todas de papelão, e de fácil violabilidade. Assim como os lacres poderiam ser facilmente substituídos e, em alguns locais, não havia conferência de documentação para votar – qualquer pessoa poderia votar por outra. As listagens de filiados disponibilizadas pela Comissão Eleitoral eram tão frágeis e confusas que existiam até nomes de pessoas já falecidas. Durante a apuração dos votos, ficou evidente a existência de urnas com número de votos superior ao de assinaturas, como algumas urnas do DMLU.
A atual direção usou de práticas clientelistas: muitos dos votos que obtiveram foram de trabalhadores que em algum momento foram defendidos pelo sindicato, se viam cobrados a votarem na chapa de situação e também serem mesários para esta, como se a luta pelos direitos de todos os trabalhadores não fosse uma obrigação do sindicato e sim uma troca de favores. Nesta mesma lógica, muito votos se consolidaram “a cabresto” – atuais diretores do sindicato ou ex-diretores que concorreram ficavam bastante próximos dos trabalhadores, os assediando na hora do voto, que se viam inibidos a votar em outras chapas. Além disso, devemos refletir sobre o porquê mais de dois mil trabalhadores filiados se abstiveram de votar e tantos outros, anteriormente filiados e atuantes em nossas lutas, se desfiliaram, abrindo mão conscientemente de sua participação na eleição. Tristes constatações para a democracia interna de nosso sindicato.
AS CHAPAS 1 E 3 REPRESENTAM A BUROCRACIA SINDICAL.
PORTANTO, NO 2° TURNO É VOTO NULO!
A ofensiva contra a classe trabalhadora é brutal. As chapas 1 e 3 defendem que a saída para a classe trabalhadora é a mudança de governos, pois querem um governo formado por seus partidos, criando a ilusão de que seria possível humanizar o capitalismo. Vivemos a experiência com o PT, PCdoB, PSB e outros, que governaram o capitalismo e impuseram aos trabalhadores inúmeras derrotas. Nós, ao contrário deles, acreditamos que é através da nossa organização, unidade e luta que poderemos construir a resistência e avançar rumo ao fim do capitalismo.
As chapas 1 e 3 representam a mesma concepção, a de Sindicato Cidadão e da Burocracia Sindical: de conciliação de classes, preocupados em governar o capitalismo e não em organizar os trabalhadores para lutar contra os patrões e seu Estado, de conchavos nos bastidores, de decisões tomadas de cima para baixo, aparelhado por organizações e partidos da ordem, da fragmentação e do corporativismo - a exemplo disto temos a ATEMPA, que mesmo sendo uma associação, vem assumindo responsabilidades que seriam do sindicato e acaba por dividir aos trabalhadores e ambas as chapas concordam com esta prática. Não à toa já estiveram juntos compondo a diretoria do SIMPA.
Quem defende um sindicato classista, controlado pela base, independente da burguesia e do seu Estado, que organize todos os trabalhadores precarizados e efetivos, como parte da luta pela unificação de todos os trabalhadores, no segundo turno das eleições do SIMPA, VOTA NULO, pois ambas as chapas continuarão o processo de burocratização de nosso sindicato.
FORTALECER O SIMPA PELA BASE
Mesmo diante de todas as críticas que temos à direção do SIMPA, sabemos que o Sindicato é a principal ferramenta da classe trabalhadora atualmente. Para tanto, precisamos que este instrumento esteja a serviço dos trabalhadores e não apenas de uma pequena casta burocratizada. Com o objetivo de fortalecer nosso sindicato defendemos um sistemático trabalho de base em todas as secretarias para construir a luta de forma coletiva, horizontal e democrática. Defendemos também uma massiva campanha de filiação ao SIMPA, dando força e combatividade ao nosso sindicato frente aos ataques dos patrões. Quanto maior for nosso número de filiados e quanto mais politizados e atuantes estivermos nesse processo, maiores serão as nossas chances de avançar na conquista por direitos.
Continuaremos enfrentando a burocracia sindical dentro do SIMPA a partir da construção de uma oposição sindical classista. Permaneceremos defendendo a construção e fortalecimento das instâncias de base do nosso sindicato, a oportunidade de formação política; o incentivo a criação de novos CORES, bem como o fortalecimento dos existentes. As instâncias do nosso sindicato só serão democratizadas quando a base estiver organizada, consciente e com disposição ao enfrentamento. Este é o papel que procuramos cumprir.

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