08/09/2026
Hoje, depois de final de semana prolongado, ao retomarmos a rotina, um único erro se tornou maior do que toda a atividade.
Victor vinha realizando diariamente os exercícios do Kumon e esperava receber a chuva de confetes que aparece ao concluir corretamente a tarefa. Mas ele errou uma questão — e os confetes não vieram.
A frustração cresceu, sua atenção diminuiu e ele passou a dizer que estava sem motivação. Quanto mais tentava continuar, mais difícil parecia reorganizar o pensamento. Foi preciso parar.
Para quem observa de fora, pode parecer uma reação exagerada diante de apenas um erro. Mas o erro não representou somente uma resposta incorreta: rompeu uma expectativa e exigiu uma reorganização interna que, naquele momento, ele não conseguiu realizar.
Quando existe dificuldade para flexibilizar o pensamento, aquilo que saiu diferente do esperado pode ocupar todo o espaço. A criança deixa de perceber o que já conseguiu fazer e enxerga somente o ponto em que falhou.
A pausa não foi desistência nem abandono da aprendizagem. Foi o reconhecimento de que, antes de continuar, ele precisava recuperar as condições emocionais para aprender.
Nem toda resistência é preguiça.
Nem toda desatenção é falta de interesse.
Nem toda pausa significa desistir.
Continuaremos falando sobre rigidez cognitiva no autismo: por que erros, mudanças e frustrações podem assumir proporções tão intensas — e como a escuta, a antecipação e a construção gradual de alternativas podem ajudar.
Porque errar não apaga todo o caminho já percorrido.
InclusãoParaTodos PaiDeAutista