Olhar adotivo

Olhar adotivo

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mais que um movimento pelo direito à biografia, é uma luta coletiva por um mundo melhor

Photos from Olhar adotivo's post 29/01/2026

E se a gente testasse umas cenas curtas sobre perspectiva adotiva por aqui, hein? ❤️

24/12/2025

Enquanto preparávamos as coisas para a nossa ceia, minha mãe falou sobre o câncer que teve logo depois que eu cheguei:

"Eu disse para o médico que eu tinha que viver, porque você já tinha perdido uma mãe e não podia perder mais uma não".

Bum! Aquele baque de ouvir coisas como essas em datas como hoje.

No aniversário dela, escrevi sobre o que é existir em hiato de mãe e depois celebrar uma. Hoje, em outra data simbólica, fui pega pela emoção de ouvir seu cuidado, seu desejo ainda maior de que aquela criança, a sua filha, não ficasse mesmo sem mãe, ela, minha mãe.Uma hora sou eu quem falo, outra sou eu quem escuto.

Resolvi partilhar aqui.

Há pessoas que dizem que Jesus era adotivo. Não gosto muito dessa ideia. É que nessa história, independente da crença de cada um, Jesus ser adotivo faz a gente esquecer a origem social da adoção no mundo de nós mortais. É que Jesus não precisou migrar por destituição do poder familiar, não teve um marcador complexo o fazendo existir enquanto adotivo.

Mas gosto muito disso de Jesus mostrar que existem várias formas de ser família. Sobre adoção, em um paralelo, gosto que Jesus tinha seu espelhamento genético garantido em imagem e semelhança, que sua origem nunca lhe foi negada e que ele podia conviver entre seus dois pais tranquilamente, sem nem precisar chamar nada de adoção aberta ou compartilhada. Sem tabus! Jesus tinha dois pais, existia na fronteira entre um mundo espiritual e um corporificado tal qual nós, adotivos do mundo, entre sangue e sobrenome.

Jesus teve sua família, mas também fez família com seus amigos, ou apóstolos, algo importante de lembrarmos, porque quem não chega a ser adotado, quem por um acaso não pode chamar alguém de pai ou mãe, encontra amor e rede sim - e pode formar uma família depois se assim quiser, seja como for. É nossa responsabilidade coletiva sermos família, em sentido amplo, para cada ser desse mundo.

Quando minha mãe me lembra, no dia de hoje, que no seu momento mais sensível quis existir por mim, pra me cuidar, penso que é isso que dizem que Jesus quis fazer por nós. Mexeu, viu? Amar, seja como for, é sempre um ato poderosíssimo que reinaugura o mundo.

Feliz Natal a todos nós ❤️

24/11/2025

Muito feliz em fazer parte, ao lado desse time incrível, do IX Seminário Nacional sobre Qualidade de Serviços de Acolhimento Institucional e Familiar para Crianças e Adolescentes, com realização do .sp

No dia 26 de Novembro, das16h30 às 18h20, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP em São Paulo, participe com a gente da mesa “Reintegração familiar, destituição do poder familiar e adoção”, com coordenação de Michele Donizette Borges (NCAF-PPGSS/PUCSP) e:

📍Maternidades ameaçadas, com Janaína Gomes (Anthera, UFRS);

📍Existências e resistências à retirada de filhas/os pelo Estado, com Gracielle Feitosa de Loiola (NCAF-PPGSS/PUCSP);

📍Estratégias de reintegração familiar, com Dalízia Amaral e Cruz (SNAS);

📍Transferência de filiação e a complexidade da parentalidade adotiva, com Dalva Azevedo de Gois (NCAF-PPGSS/PUCSP)

📍 Direito às origens, com Larissa Alves (Associação Brasileira de Pessoas Adotadas).

Sempre uma alegria ver a reflexão crítica sobre adoção pipocando discussões importantíssimas!

Espero vocês ❤️

Photos from Olhar adotivo's post 20/11/2025

O debate racial na adoção é centrado, a longo prazo, na experiência adotiva?

Colin Kaepernick contou sua experiência de adoção em “Colin em preto e branco”, uma série importantíssima para vários adotivos que se viram representados - inclusive em situações de racismo intrafamiliar. Eis a diferença de ouvir sobre adoção inter-racial a partir da perspectiva adotiva. Randall em This is Us, mesmo ficcional, é outro bom exemplo.

Nos grupos de apoio adotivo não são raras as denúncias de racismo sofrido, seja por parte dos próprios pais ou da família extensa. O que isso tem a ver com letramento racial na habilitação e pós-adoção? Muito! Em um mundo em que adotivos são taxados de ingratos e que a adoção inter-racial é validada por muitas pessoas como comprovação do não racismo daquela família, como protegemos adotivos que sofrem com isso?

Ao mesmo tempo, é preciso educar a sociedade para entender que a adoção inter-racial não só pode funcionar como dá certo sim! Claro: só o amor não basta. Ele é fundamental, mas tem que vir acompanhado de letramento racial.

Como aumentar o preparo de psicólogos e demais profissionais para apoiar adotivos e famílias? Como debatemos o embranquecimento que alguns adotivos pretos passam? E a solidão de falta de representatividade e espelhamento genético? E o bullying escolar ?

É horrível a realidade da não adoção de crianças pretas e precisamos questionar o racismo nisso. É igualmente terrível a realidade do racismo intrafamiliar e falta de preparo da sociedade sobre adoção inter-racial, principalmente a falta de grupos e profissionais que acolham os adotivos.

Precisamos falar, também, do racismo que leva justamente essas crianças negras a viver em situações de acolhimento. O quanto das retiradas compulsórias não se conecta ao racismo? E a realidade dos jovens negros que tem que deixar as casas de acolhimento ao completar 18 anos?

Que possamos construir realidades melhores tanto de prevenção do acolhimento, já que há o racismo que impede adoções, quanto promover adoções saudáveis de fato letradas racialmente, bem como o cuidado a longo prazo das experiências das pessoas pretas adotivas!

Photos from Olhar adotivo's post 17/11/2025

Quando foi que passamos a naturalizar o uso da palavra "devolução" para falarmos de crianças e adolescentes ?

A análise não se restringe a um caso em específico, mas para todo um contexto de adoções frustradas em nosso país. Se dizemos que crianças e adolescentes são "devolvidos" como se houvesse um SAC dos pais adotivos, podemos chamá-los então de "devolventes"? Como endereçar de outra forma o incômodo? Mas, mais que isso, como enxergar esse problema não como fruto individual da ação dos "devolventes", mas reflexo de um problema estrutural muito maior que, é preciso frisar, não é culpa das crianças e dos adolescentes?

O livro “Abandono de filhos adotivos sob o olhar da Doutrina da Proteção Integral e da responsabilidade civil” nos ajuda a enxergar os efeitos de uma adoção frustrada na vida de crianças e adolescentes. Muitas vezes é isso que irá impedir a abertura emocional para uma nova adoção, mais que o afastamento das origens biológicas. Como essa responsabilidade tem aparecido nas habilitações dos pretendentes? E nos cursos preparatórios? E no pós-adoção? E no cuidado mais importante de todos: o das crianças e dos adolescentes?

Nesse cenário, são várias as ações que precisam ser revistas. Que um dia possamos, de fato, não culpabilizar crianças e escrever uma nova narrativa sobre adoção no Brasil: uma em que a palavra "devolução" não apareça associada a quem já teve seus direitos violados.

Photos from Olhar adotivo's post 03/11/2025

Quando eu nasci, a palavra mãe não me foi dada automaticamente. Tive que esperar. Nem todo bebê chega ao mundo e vai direto para o colo de sua família. Às vezes leva uma semana, às vezes levam anos. Até que elas chegam, as nossas mães (ou pais, que existem várias formas de ser família).

A minha mãe e eu nos conhecemos em Agosto. Ela teve que viajar para me encontrar e me trazer para casa, mas antes disso ela verbalizou um desejo e me iniciou em sua família. Foi ela quem disse "eu quero adotar" e então fez-se verbo. Foi aí que eu comecei a nascer, ainda sem ser eu.

Depois, nasci de verdade, esperei e ela veio. Seria mais enfeitado dizer que eu acredito em destino, mas eu acredito mesmo são nas escolhas, essas ações contínuas.

Sempre falo de um trecho de "Blue Nights", de Joan Didion, sobre sua filha Quintana, que questionava o que teria acontecido se seus pais não tivessem atendido aquele telefonema, justo aquele.
Como ela, eu sei que poderia ter sido adotada por outra família ou sequer ter sido adotada. Mas eu fui, ela foi, e por essas famílias. E isso deu o contorno que tenho nessa vida, meu nome Larissa, minha infância em Minas. Poderia ter sido outra, mas não foi, e por isso celebro esse encontro, essa mulher que me deu a chance de usar a palavra mãe nessa vida.

Antes mesmo que eu pudesse aprender a palavra mãe, vocalizar esse nome bonito, ela já me chamava filha e talvez aí esteja a magia dos renascimentos. Eu era um bebê em hiato, aguardando cuidado, mas ela disse "filha" e não "bebê" e minha vida foi reinaugurada.

Agora, filha, eu podia ser cuidada, afagada em colos.Eu podia não só nascer, mas crescer na vida de alguém.

Foi ela quem me quis - e fez todo mundo me querer, por bem ou por mal, que a decisão já tava tomada e eu estava ali, de sobrenome e tudo, pra ser filha dela.

Me cobriu de gibis e livros, pra gente ler juntas na sala de casa, partilhando histórias agora que as nossas estavam mais do que cruzadas.

Aprendemos juntas a navegar por gerações diferentes e a ser um tipo "diferente" de família. Sempre fui lida primeiro como sua neta e, só depois de explicado, como sua filha.

(Continua no comentário fixado)

Photos from Olhar adotivo's post 24/10/2025

Quando dizemos que a adoção é mais que parentalidade é sobre casos como esse. Um grupo de Facebook que não tem nada a ver com "modos de ser famílias". É preciso nomear as coisas do jeito certo: trata-se de um crime, um espaço cujo objetivo é agir por fora da Lei.

Existe um motivo para a adoção seguir trâmites: é para a proteção das crianças e adolescentes, a fim de que se encontre uma família de fato preparada para aquela realidade. É menos sobre pressa e mais sobre preparo, apoio qualificado e garantia de direitos adotivos a longo prazo.

Mais que isso, essas irregularidades podem estar associadas à tráfico de crianças (nacional e internacional), situações análogas à escravidão, desconhecimento acerca da entrega legal, aliciamento de famílias em desigualdade social e ocultamento das origens da criança.

As redes sociais não podem ser “terra sem Lei”: que esses espaços que têm promovido ilegalidades como essas sejam sempre denunciados e ENCERRADOS!

Adoção só se for Legal!
E grupos nas redes sociais só se forem para a troca benéfica de informações.

Um agradecimento mais que especial ao Defensor Público Gustavo Samuel por ter atuado nessa missão a partir do Mutirão de Direito às Origens! Quando falamos que a adoção é mais que parentalidade é também sobre isso: a atuação de diversos atores sociais para a garantia do direito das crianças e dos adolescentes - e também dos adotivos adultos em busca de respostas!

Leia a matéria: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2025/10/06/facebook-abrigou-grupos-de-doacao-ilegal-de-crianca-por-mais-de-1-ano.htm

Photos from Olhar adotivo's post 25/09/2025

Nem na novela Vale Tudo, vale tudo 🤪

Falar sobre adoção é papo sério e seria ótimo se a teledramaturgia que já ajudou a proteger o direito dos idosos e publicizar tantos debates importantes tivesse o mesmo cuidado na adoção, né?

Adoção é legal, segura e para sempre. Adotivos têm direitos e seu passado não é um tabu.

Bora que bora 🔥

Photos from Olhar adotivo's post 19/08/2025

Uma das coisas que mais me emocionam nos movimentos coletivos é ver a sua transformação.

De um lado, temos plena consciência que mudanças estruturais levam tempo, que o mundo não simplesmente muda de uma hora pra outra, que é preciso uma série de fatores e ações, muitas vezes a serem decididos por pessoas outras que não as que sonham com isso tudo, para as coisas evoluírem.

Do outro, celebramos cada passo e vemos o quanto cada conquista, mesmo que pareça pequenininha, alcança dimensões potentes. A cada ano surge algo novo, um projeto, uma voz, um resultado de algo plantado láá atrás. E isso é extremamente significativo!

Que alegria encontrar no e esse cenário amplo: conversamos sobre as questões estruturais, enxergamos os índices sobre devoluções, essa palavra horrível, debatemos a falta de letramento racial na sociedade e principalmente nas adoções...

E celebramos projetos incríveis que vem mudando vidas e permitindo que jovens não saiam dos sistemas de acolhimento sem amparo, ações que vem promovendo famílias inter-raciais mais preparadas. Ouvimos famílias que se abriram à adoção compartilhada e, ainda bem, não engrossaram o caldo das estatísticas que mostram esse compromisso sendo desfeito.

Refletimos coletivamente sobre a convivência familiar e comunitária, adoção aberta, egressos do sistema, construção de vínculos, o trabalho da equipe técnica, letramento racial, direito às origens e o modo como adotivos são vistos pela sociedade.

3 dias de inspiração e trocas, pessoas que admiro, novos sonhos e ainda mais compromisso coletivo.

Que alegria poder partilhar sobre a perspectiva adotiva no Brasil, ressaltar o trabalho da , cuja atuação em direito às origens me orgulha demais (🥹), dividir a mesa com , minha parceira em tantos encontros, e encontrar várias presentes com seus trabalhos científicos e livros!

Sempre especial quando posso estar nesses espaços com outros adotivos. Muito obrigada e .diogocals por toda a conexão e insights maravilhosos. Por nós sempre!!!

Obrigada, ENAPA, foi bom demais ❤️

Seguimos, juntos, que transformação só se faz em rede 🔥

Photos from Olhar adotivo's post 10/08/2025

Feliz dia dos pais ❤️

Photos from Olhar adotivo's post 04/07/2025

Adotivos, todos eles, devem ser respeitados em suas escolhas, mas o que está sendo reforçado no imaginário coletivo quando apenas discursos sobre "eu não tenho curiosidade, pois fui muito amado" são ouvidos? Quem tem curiosidade não foi amado? Não ama a família adotiva? Deu errado?

Falar bastante sobre direito às origens não é para forçar uma obrigação em ninguém, muito pelo contrário. É que o não querer saber JÁ É ACOLHIDO. Por outro lado, o fato do direito às origens ser um direito ainda é desconhecido, bem como é confundido com CONVIVER com a família de origem ou uniformizar todas as relações como exatamente iguais.

Sonho com uma sociedade em que todas as histórias de adoção tenham espaço - e que adotivos não sejam julgados por algo que para outras pessoas é tão comum ❤️

Eu amo a minha família adotiva, sou amada por ela, e tenho direito a falar e acesssar a minha história livremente!

Bora romper estigmas, garantir saúde mental e combater a desinformação!

Photos from Olhar adotivo's post 26/06/2025

O problema não é a palavra "adotivo". É a falta de uma sociedade letrada em adoção e perspectiva adotiva!

Não se combate nenhum estigma a partir da invisibilidade, então bora que bora falar mais e mais sobre adotivos por aí ❤️

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