10/10/2026
MAIS UM MEMBRO DO ANAMOLA ASSASSINADO: EM QUELIMANE (MOÇAMBIQUE), A VIDA DOS OPOSITORES VALE MENOS?
Por: Ricardo Rabana.
Há mortes que deixam lágrimas. Outras deixam medo, revolta e perguntas que parecem não encontrar respostas. A morte de Araújo, mobilizador do partido ANAMOLA no Posto Campo, distrito de Mopeia, na província da Zambézia, é mais um episódio doloroso que exige esclarecimento urgente.
Segundo um comunicado da Coordenação Provincial do ANAMOLA na Zambézia, Araújo foi morto a tiros na sua própria residência, onde também funciona a sede local do partido, na noite de 9 de Outubro de 2026, por volta das 18h30.
A mesma organização aponta alegado envolvimento de membros da Polícia da República de Moçambique (PRM) afectos à esquadra local. Trata-se de uma acusação grave que deve ser investigada com independência, transparência e rigor, para que os factos sejam esclarecidos e os eventuais responsáveis respondam perante a justiça.
Mas uma pergunta continua a inquietar muitos cidadãos:
até quando os membros da oposição terão de viver com medo?
Hoje, uma família chora a perda de um ente querido. Uma comunidade perde um dos seus mobilizadores. Um partido prepara-se para enterrar um dos seus membros. E o país enfrenta mais um caso grave que não pode ser ignorado.
O mais preocupante é que, quando um cidadão é assassinado, a primeira obrigação das autoridades deve ser esclarecer o crime, proteger as testemunhas e garantir que os responsáveis sejam responsabilizados, independentemente da sua posição política ou institucional.
Ser membro do ANAMOLA não pode transformar ninguém em suspeito permanente, muito menos retirar-lhe o direito à vida, à segurança e à liberdade.
Em Moçambique, ninguém deveria ser tratado como criminoso apenas por pertencer a um partido, defender determinadas ideias ou criticar quem governa.
UM PAÍS NÃO PODE FALAR DE PAZ, ENQUANTO AS FAMÍLIAS CONTINUAM A ENTERRAR OS SEUS ENTE QUERIDOS EM CIRCUNSTÂNCIAS QUE EXIGEM RESPOSTAS.
Se as autoridades existem para proteger os cidadãos, é precisamente nos momentos mais difíceis que devem demonstrar a sua responsabilidade. O silêncio, a demora ou a ausência de esclarecimentos, perante denúncias desta gravidade apenas aprofundam a desconfiança pública.
A morte de Araújo não deve ser reduzida a mais uma notícia passageira. A sua família merece respostas.
Os seus companheiros merecem segurança. E a sociedade moçambicana merece saber o que realmente aconteceu.
Não basta lamentar uma morte. É necessário investigar, esclarecer os factos e garantir justiça.
Hoje, o ANAMOLA denuncia a perda de mais um dos seus membros. Amanhã, qualquer outra família poderá enfrentar uma dor semelhante, independentemente das suas convicções políticas.
A VIDA HUMANA NÃO PODE VALER MENOS DO QUE O PODER. E NENHUM PARTIDO DEVE SER CONDENADO À PERSEGUIÇÃO POR EXISTIR E DEFENDER AS SUAS IDEIAS.
Que a família de Araújo encontre forças para enfrentar esta perda irreparável. Que as autoridades competentes investiguem o caso com seriedade. E que a verdade não seja enterrada juntamente com o homem que hoje é chorado pelos seus.
Porque, quando um cidadão morre em circunstâncias violentas, o mínimo que uma sociedade pode exigir é verdade, justiça e respeito pela vida.
Revisão: CFI-Aleferga/GDIF