09/22/2026
MANIFESTO DE INDIGNAÇÃO — PELA QUALIDADE E CRIATIVIDADE NA MÚSICA MOÇAMBICANA
Isto é um desabafo, mas também é um manifesto de indignação.
Acho que já passou da hora de discutirmos seriamente a necessidade de existirem mecanismos claros que promovam a qualidade, originalidade e responsabilidade na produção de conteúdos musicais oferecidos ao público.
Há artistas que continuam a lançar músicas que parecem apenas repetir fórmulas, ideias e mensagens que outros artistas já apresentaram há anos. Nesta altura, sinceramente, já não faz sentido continuarmos a alimentar a falta de criatividade como se fosse normal.
Se um artista sente que não consegue construir uma boa composição, existem compositores, letristas e outros profissionais talentosos neste país. Procurem-nos. Trabalhem em conjunto. Aprendam. Evoluam.
Não lancem uma música simplesmente porque querem aparecer.
Apareçam, sim — mas apareçam com conteúdo digno de ser ouvido.
Não precisamos de mais músicas que sejam apenas uma repetição daquilo que Hermínio, Twenty Fingers, Companhia, Doppaz, Humberto Luís e tantos outros artistas já cantaram.
A música também é cultura. É identidade. É memória. É comunicação. E, por isso, quem coloca uma obra no mercado deve pensar: “O que estou a acrescentar?”
Não estou a dizer que ninguém pode falar de amor, sofrimento, traição, dinheiro ou outros temas que já foram abordados. Esses temas são universais. A questão é como os abordamos.
Podemos falar do mesmo assunto de uma maneira completamente diferente. Podemos contar uma nova história. Podemos trazer uma nova sonoridade. Podemos apresentar uma nova perspectiva.
Criatividade não significa necessariamente inventar um tema que nunca existiu. Significa conseguir dizer algo conhecido de uma forma que tenha identidade própria.
Por isso, família, parem de lançar qualquer coisa apenas para dizer que lançaram.
Isto não é dirigido apenas aos iniciantes.
É para os iniciantes, para os artistas em ascensão, para os avançados e também para os profissionais já estabelecidos.
Antes de perguntarmos “quando vou lançar?”, talvez devêssemos começar a perguntar:
“O que estou a entregar ao público?”
Porque aparecer qualquer um pode aparecer.
Ser lembrado pela qualidade é outra história.