02/10/2026
🎙 Discurso do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na sessão plenária da XXIII reunião anual do Clube Internacional de Discussão "Valdai" (1 de Outubro de 2026)
Tema da reunião — "Responsabilidade pelo futuro: limites do possível ou possibilidades sem limites?"
Pontos principais:
• A responsabilidade pelo nosso futuro comum não é um moto abstracto. É um conjunto de acções prácticas cujo objectivo é impedir que a humanidade chegue à beira da sobrevivência e evitar o irreparável.
• Embora a humanidade sinta que estão a ocorrer grandes mudanças, ainda não tomou verdadeiramente plena consciência da dimensão do desafio que enfrenta. É o início de uma realidade completamente nova, absolutamente nova. As ameaças e os perigos estão estreitamente entrelaçados com as oportunidades e as perspectivas e, ao mesmo tempo, são inseparáveis uns dos outros. Toda a nossa vida está a mudar.
• Seja qual for o cenário que venha a concretizar-se no mundo nos próximos anos, a continuação dos conflitos internacionais é, infelizmente, bastante provável. Em particular, porque as profundas transformações em curso e as oportunidades que delas se abrem estimulam e alimentam as ambições e a disposição para correr riscos em nome de ganhos que parecem ser de grande dimensão.
• Numa perspectiva estratégica, à medida que se afasta a hegemonia ocidental, a situação mundial irá gradualmente mudar para o melhor, no sentido de uma ordem internacional multipolar mais estável, democrática e livre. Contudo, é igualmente evidente que, no caminho para tal ordem mundial, teremos de enfrentar diferentes tipos de riscos para os Estados, as comunidades e cada pessoa em particular.
• A ONU, embora seja a organização mundial mais representativa, é, na práctica, governada de uma forma muito menos colegial e democrática do que foi inicialmente concebido. Um grupo limitado de países do Ocidente exerce uma influência desproporcionadamente grande e, sendo uma clara minoria a nível mundial, procura atribuir a si próprio funções de governação.
• O princípio "quem tem força não precisa de razão" parece, por vezes, orientar alguns actores internacionais, convencidos da sua própria excepcionalidade militar e política, económica e, como lhes parece, moral. Sabemos perfeitamente, da História, que tal caminho nunca resulta em bom.
• A verdade é que não fomos nós que quisemos guerread nem fomos nós que o começámos: começaram a guerrear contra nós. Não era necessário incentivar durante anos o nacionalismo agressivo e a russofobia na Ucrânia com o objectivo de a transformar num instrumento de luta contra a Rússia.
• A Rússia foi deliberadamente colocada numa situação em que se viu simplesmente obrigada, em resposta a esta agressão evidente, a defender-se de armas na mão. Levaram-nos deliberadamente até esta linha. E, de um modo geral, não se deve transformar a russofobia, a perseguição e o assassinato de cidadãos russos, a destruição da Rússia, numa ideologia de Estado e estabelecer como objectivo a derrota estratégica da Rússia.
• Se queremos viver, e todos querem viver, então, como já disse uma vez num discurso público, vivamos em amizade e procuremos juntos caminhos para alcançar esse objectivo.
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