25/05/2026
BLOCO DEMOCRÁTICO
SECRETARIADO NACIONAL DO BLOCO DEMOCRÁTICO
Comunicado da comissão política permanente
DECLARAÇÃO SOBRE O 25 DE MAIO
Todos africanos e africanas por ocasião da comemoração de mais um dia 25 de Maio, dia da África.
1. Nesta data de reflexão e ação Saudamos sobre as questões que flagelam este majestoso e rico continente, mas com uma população miserável e sem perspectiva de futuro numa realidade que nos instiga a trabalhar mais para construirmos um continente próspero e desenvolvido, o Bloco Democrático quer juntar-se aos esforços dos africanos engajados na luta pela afirmação africana e contra a má governação de que o continente é vítima.
2. Para o Bloco Democrático a Unidade Africana é um dos grandes objectivos do processo de luta pela libertação africana e do pan-africanismo adotado pela UA como objetivo para impulsionar as lutas de libertação nacional das nações africanas subjugadas pelo colonialismo durante séculos. No actual contexto ela é preciosa para a afimação da real independência e na luta por um desenvolvimento que liberte os povos do continente.
3. Esta data bem como os seus objetivos não podem ser ignorados devido ao seu alcance político e histórico que foram lançados em Maio de 1963, pelo que a construção de uma África próspera e pacífica, onde a cidadania participativa eleva a qualidade dos cidadãos em seus países, continuará a ser um valor central, coerentemente defendido pelo Bloco Democrático.
4. O desafio para uma África desenvolvida está sendo condicionado por uma falta de visão inclusiva da maioria das suas lideranças permitindo, assim a exploração de seus povos em troca de privilégios económicos que facilitam o neocolonialismo.
7. A África está a ser coagida a um papel insignificante num momento crucial para a história do mundo. Por via do interesse das lideranças internas, o continente está incapaz de remover a superestrutura neocolonial nos estados pós independência, que ao longo de décadas tem provocado situações internas de conflito, guerras civis e instabilidade social e política. A África é vista hoje como mero espaço de exploração dos seus recursos recursos naturais, empobrecendo os seus povos.
8. O Bloco Democrático expressa a sua solidariedade com todas as nações africanas em situação de conflito interno e que procuram resolver as suas desavenças internas através do diálogo e da abertura democrática.
9. O Bloco Democrático deplora que em pleno século XXI lideranças incapazes de realizar o bem estar para os seus povos manipulam as populações com ideologias e atitudes ultranacionalistas e populistas provocando cisões entre imigrantes africanos e nacionais, como ocorre na República Sul Africana. Nosso apelo vai no sentido não só das autoridades conterem a violência mas que sejam capazes de olhar para os interesses de todos os residentes, vencendo a pobreza e aumentando as oportunidades para os nacionais. Nosso apelo dirigese ao povo sul africano, a quem reconhecemos provada capacidade de acolhimento e solidariedade que saiba encontrar conexões positivas com os demais povos africanos os quais, no passado, apoiaram a sua luta contra o apartheid e rejeite corajosamente as teorias segundo as quais a sua desgraça resulta da presença dos imigrantes. Saudamos assim todas as forças políticas e sociais que se opõem a violência entre africanos.
10. O Bloco Democrático reafirma a sua oposição a políticas de anexação, invasão, opressão, chacinas, conflitos étnicos, a prática de escravatura, guerra biológica, opressão ou qualquer forma de discriminação e de extermínio de ou por qualquer nação ou grupo inconfesso em solo africano.
10. Conclamamos todos os africanos em particular os angolanos a afirmarem neste 25 de Maio o seu e nosso compromisso de luta contra qualquer tipo de tendência neo ou endocolonial, propondo poderes equilibrados, inclusivos, para usufruto de todos.
11. O Bloco Democrático engajar-se-a na melhoria das relações entre estados, com maior participação, solidariedade e colaboração na concretização dos objetivos da agenda 2063 em aliança com a sociedade civil angolana nas suas prioridades que também fazemos nossas;
Na luta por
1. Melhores condiçoes de vida. Na exigência de aumento da qualidade de vida dos cidadãos angolanos e dos níveis de bem estar, e habitação condigna para todos;
2. Por maiores investimentos na educação, ensino profissional que revolucione os níveis de competência e capacidades dos cidadãos angolanos, em áreas como as ciências, tecnologia e inovação, cumprindo os Acordos de Lagos e outras directivas africanas.
3. Pugnar e exigir que o executivo angolano responda pela situação de indigência da maioria da população, pelos índices elevados de fome e da insegurança alimentar no país, com destaque para o Sul de Angola;
4. Incentivar as campanhas de alerta e reivindicação pelo estado estagnante da agricultura e remoção das barreiras a agricultura familiar, e lutar por uma agricultura moderna capaz de transformar a economia nacional, produzindo emprego e que promova uma indústria doméstica sustentável;
5. Juntar-nos de forma mais efetiva as causas do meio ambiente, e instar o governo angolano a proteger de facto os recursos de todos angolanos para o beneficio da nação angolana, e apostar seriamente na economia azul e no sector ambientalista em crescimento pelo mundo todo. Nesse sentido o Governo Angolano deve cumprir a Visão Mineira Africana, que inclui a sociedade civil na determinação da estratégia de exploração dos recursos bem como na forma como os benefícios devem ser divididos por todos. A visão mineira africana tem respostas para a gestão da exploração artesanal o que, se fosse aplicada, poderia ter evitado as dezenas de mortes ocorridas este fim de semana na província do Bengo com a exploração aurífera.
6. Reafirmamos neste 25 de Maio a defesa das vitórias alcançadas pelo processo de luta pela libertação nacional engajando a juventude nos processos de luta pela libertação social e, nomeadamente, pela democratização do País, pela afirmação das raízes africanas e pelo desenvolvimento integral o que passa pelo bom uso das novas tecnologias.
7. Para o Bloco Democrático somente a África será efectivamente livre se todos nos engajarmos para tornar possível o sonho da liberdade traída pelos actuais líderes que resistem aos princípios da LIBERDADE, CIDADANIA E MODERNIDADE.
8. O Bloco Democrático exalta o seu compromisso de parceria com todos aqueles que querem uma Africa verdadeiramente independente, próspera e estável, em que os seus cidadãos possam viver em segurança, afirmação cultural, democracia e paz.
Luanda aos 25 de Maio de 2026
Comissão política permanente
LIBERDADE, CIDADANIA E MODERNIDADE