03/10/2026
Deputado Lucas Bove é réu em dois processos no caso da ex-esposa Cíntia Chagas; audiências foram marcadas para depois do primeiro turno
Deputado estadual do PL responde a acusações de violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas. Ele nega ter ameaçado ou agredido a ex-mulher.
Por Márcio Barreto - Adamantina Notícias
Adamantina (SP), 03/10/2026
O deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) chega às vésperas do primeiro turno das eleições respondendo a dois processos criminais relacionados à ex-mulher, a professora e influenciadora Cíntia Chagas. Na ação sobre supostos descumprimentos de medidas protetivas, as audiências foram marcadas para 6, 7 e 8 de outubro, conforme calendário judicial divulgado pelo Metrópoles em abril. O parlamentar nega as acusações.
A programação prevê o depoimento de Cíntia e das testemunhas de acusação no primeiro dia, das testemunhas de defesa no segundo e o interrogatório de Bove no terceiro. A decisão admitiu a possibilidade de reagendamento do interrogatório. A manutenção dessas datas não foi confirmada diretamente com o tribunal nesta apuração.
Segundo a CNN Brasil, essa ação envolve dez episódios de possível violação das ordens judiciais concedidas em favor de Cíntia. Os advogados de Bove contestaram a acusação e questionaram a integridade das provas. A Justiça determinou o prosseguimento do processo.
Outro desdobramento ocorreu em 14 de maio deste ano, quando a Justiça absolveu Cíntia das acusações de injúria e difamação apresentadas pelo ex-marido. Conforme o Metrópoles, a magistrada entendeu que as publicações analisadas envolviam relatos pessoais, críticas e temas de interesse público. A defesa do deputado informou que recorreu. Essa decisão trata das acusações contra Cíntia e não representa uma condenação de Bove por violência doméstica.
O caso começou a ser investigado após Cíntia procurar a polícia em setembro de 2024. Segundo o UOL, que informou ter consultado o boletim de ocorrência, o registro foi feito em 4 de setembro. Nos relatos atribuídos ao documento, ela descreveu controle sobre sua rotina, exigências de comprovação de localização e episódios de violência física. Também afirmou que o deputado teria arremessado uma faca e uma garrafa de água em sua direção. Bove contesta as acusações.
Fotografias de marcas no corpo e capturas de conversas atribuídas ao casal também foram divulgadas pela imprensa. Em reportagem de 18 de outubro de 2024, o Metrópoles apresentou um áudio de uma conversa de 31 de agosto de 2022, no qual Cíntia pedia que Bove interrompesse comportamentos que lhe causavam dor.
“Na hora eu até rio para evitar briga, mas não está legal. Então, para. Se controla”, diz o trecho transcrito pelo veículo. Segundo o print, Bove respondeu: NÃO CONSIGO!
A defesa de Bove apresentou outra interpretação para parte das mensagens e fotografias. Segundo reportagem do mesmo jornal, publicada no dia anterior, os advogados sustentaram que determinadas marcas decorreriam de situações consentidas durante a intimidade do casal. O contexto e o significado desses registros são objeto de controvérsia entre as partes.
A investigação policial e a denúncia do Ministério Público tiveram alcances diferentes. Conforme a Folha de S.Paulo, o relatório policial encaminhado ao MP em setembro de 2025 apontou elementos de perseguição e violência psicológica. Naquela etapa, a delegada não incluiu lesão corporal no indiciamento, por não conseguir concluir se as marcas fotografadas decorreram de atos consentidos. A advogada de Cíntia, Gabriela Manssur, discordou dessa exclusão.
Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia que incluiu lesão corporal, ameaça, perseguição e violência psicológica. Segundo a CNN, a Justiça recebeu a acusação em 4 de novembro de 2025 e negou o pedido de prisão preventiva. Em decisão paralela, foi aplicada multa de R$ 50 mil por descumprimento de medidas protetivas. O recebimento da denúncia iniciou a ação penal e não equivale a uma condenação.
Em entrevista ao UOL publicada em novembro de 2025, Cíntia afirmou temer pela própria segurança. Disse ter procurado a polícia depois de sofrer ameaças contra sua carreira e reputação e de recusar um documento que, segundo ela, restringiria suas atividades relacionadas à política.
“Eu não tenho paz”, declarou. Na mesma reportagem, a defesa de Bove negou as acusações e afirmou que ele nunca ameaçou ou agrediu a ex-mulher.
Em manifestação enviada à CNN em abril deste ano, os advogados do parlamentar reiteraram a negativa de ameaças e agressões e afirmaram que pretendem demonstrar sua inocência. Também sustentaram que as acusações não impediriam sua candidatura nas eleições de 2026.
Em Adamantina, o ex-vereador Alcio Ikeda, que está trabalhando na campanha do deputado estadual Lucas Bove, foi procurado pelo Adamantina Notícias. À reportagem, Ikeda informou que não conseguiu contato com o parlamentar nem com a assessoria de imprensa dele. Falamos com a assessoria de imprensa do candidato, mas não recebemos uma posição até o fechamento da reportagem.