24/09/2026
Uma epidemia silenciosa avança sobre o Brasil. Em dois anos, as bets retiraram R$ 143,8 bilhões do nosso comércio, tirando o dinheiro do bairro e entregando para plataformas que não geram empregos nem riqueza local, apenas adoecimento e dor. O resultado disso? Mais de 269 mil famílias caíram na inadimplência por conta do jogo.
Os impactos na saúde pública são graves. O SUS arca com R$ 30,6 bilhões ao ano para tratar os danos causados pelas apostas, enquanto o retorno do setor para a saúde é de irrisórios R$ 145 milhões. Apenas no primeiro semestre de 2025, o lucro das bets somou R$ 17,4 bilhões. No fim, é a classe trabalhadora que paga essa conta com dívidas, doenças e sofrimento.
Hoje, viciar-se em apostas ficou fácil demais. O celular está sempre ao alcance, e as propagandas nos cercam. As bets atacam os mais vulneráveis, maquiando a dependência como se fosse diversão e vendendo ilusão de sorte para esconder o endividamento. Além disso, plataformas ilegais atuam livremente, fazendo o dinheiro girar em bancos e maquininhas sem que o sistema financeiro seja responsabilizado.
Diante desse cenário, a atitude do presidente Lula em enfrentar as bets é fundamental e merece apoio.
Enquanto 15 dos 20 clubes da Série A se uniram em manifesto contra a proibição das apostas, as torcidas deixaram claro que não apoiam isso. O Brasil foi pentacampeão sem precisar de marca de aposta na camisa, e o futebol continuará existindo sem elas. Quem realmente corre o risco de acabar são as famílias destruídas pela ludopatia.
Paralelamente, a chamada Bancada das Bets opera no Congresso para proteger essas empresas. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) se destaca como o principal articulador, acompanhado por figuras da extrema direita e do centrão, como Kim Kataguiri, Romário e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
A urgência é evidente: precisamos do fim das bets e da defesa da saúde pública, e não do lucro dos sites de apostas. A favor da classe trabalhadora, que sofre na pele as consequências do vício. Exigimos uma fiscalização rigorosa sobre as casas clandestinas e a responsabilização das instituições financeiras que viabilizam essa circulação.