07/08/2026
Ontem à noite, o Plenário Vereador Walter Eilers, na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, ficou cheio para tratar de um assunto que a região inteira sente no bolso: o transporte coletivo
intermunicipal.
O Foro Metropolitano da Foz do Rio Itajaí Açu coorganizou o encontro, em parceria com o gabinete do vereador Eduardo Zanatta.
Estavam lá estudantes da Udesc e da Univali, trabalhadores e representantes de entidades da sociedade civil.
E o Foro não foi apenas ouvir. Está em curso um levantamento próprio sobre o serviço — e ele não está sendo feito de dentro de uma sala. Os secretários da entidade passaram a andar nas próprias linhas para verif**ar em campo o que os usuários denunciam.
"Andamos utilizando o transporte e identif**amos diversos ônibus já sucateados", relatou o 1º Secretário, Anderson Goba.
"Não é de hoje que a gente escuta reclamações: que não atende, principalmente nos finais de semana, que os horários são longos. E nós estamos aqui para ouvir as autoridades e a população", completou a 2ª Secretária, Patricia Silveira.
No meio disso, dois aumentos de tarifa em menos de cinco meses. O primeiro passou a valer em 6 de março, o segundo em 27 de julho. A passagem entre Balneário Camboriú e Itajaí custa hoje R$ 8,45.
Há um ponto que quase ninguém sabe e que muda toda a conversa: quem autoriza esse aumento não é a prefeitura da sua cidade. É a Aresc, a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina. A linha é intermunicipal, e a decisão é do governo do Estado. Saber a quem cobrar já é metade do caminho.
E a pergunta que o Foro faz não é sobre o preço da passagem. É sobre o contrato. O que ele exige da empresa em troca do reajuste? Quantos ônibus, em que estado de conservação, quantos horários? Quem verif**a se isso está sendo cumprido? Tarifa de serviço público concedido não é preço de mercado — é cálculo. E cálculo se audita.
Vale registrar a contradição: em 30 de julho, Balneário Camboriú republicou a licitação do Tarifa Zero municipal, ampliada para R$ 56,7 milhões. Andar dentro da cidade caminha para ser gratuito. Atravessar para a cidade vizinha ficou mais caro duas vezes no mesmo ano. Quem mora em um município e trabalha em outro é quem paga a conta dessa falta de integração.
E isso não é de ontem. O Foro já promoveu debate ao vivo sobre como f**aria o transporte público da região — está no nosso canal no YouTube — e vem acompanhando o assunto desde então, inclusive na TV. Na estrada, foi o Foro que garantiu na Justiça a execução das pontes das marginais da BR-101, entre Itajaí e Balneário Camboriú, e a decisão definitiva de 2025 que obriga o Estado a concluir as travessias e a sinalização da SC-486. A reunião de ontem não foi estreia: foi continuidade. O que mudou é que saímos da mesa e fomos para dentro do ônibus.
E é aqui que precisamos de você. O levantamento está sendo feito agora e não f**a pronto sem quem usa o serviço todo dia.
Conte para nós: qual linha, que dia, que horário, o que aconteceu. Foto do ônibus ajuda muito. Comente aqui, mande mensagem ou escreva para [email protected].
Cada relato vira uma linha do levantamento. E levantamento com prova vira cobrança que gruda.
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