28/09/2026
O Francês do Petit e o Mar de Itaipu.
O vídeo reapareceu como reaparecem certas ondas antigas que o mar parecia ter levado para sempre. Em poucos dias, atravessou redes sociais, grupos de conversa, páginas de música brasileira e arquivos sentimentais de uma geração inteira. Nele, um jovem Paulinho da Viola dedilha o violão com uma delicadeza quase distraída, enquanto uma ainda muito jovem Maria Bethânia canta como quem conversa baixinho diante do vento. Os dois estão sentados numa mesa improvisada à beira da areia de Itaipu, em
Niterói, cercados pela informalidade luminosa de um bar de pescadores. Ao lado, tomado por um encantamento visível, o ator, compositor e cineasta francês Pierre Barouh observa tudo com os olhos de quem descobriu um continente íntimo.
Há algo de raro naquele instante. Não apenas pela juventude dos artistas, nem pelo valor histórico das imagens. O que emociona é perceber como o cenário parece dissolver qualquer distância entre França e Brasil, entre a sofisticação intelectual europeia e a simplicidade marítima de Itaipu. O francês sorri como quem finalmente encontra uma resposta que procurava havia muito tempo. Talvez procurasse exatamente aquilo: uma música que não precisava de tradução.
Leia a crônica na íntegra em:
https://aseguirniteroi.com.br/colunas-e-blogs/o-frances-do-petit-e-o-mar-de-itaipu/
Pierre Barouh, Maria Betânia e Paulinho da Viola em Itaipu, 1969. Aquarela sobre Canson, do autor. Estudo gerado com auxílio de uma IA generativa.