06/10/2026
Ex-professor da UFRJ e atual titular da FGV, o historiador Jairo Nicolau avaliou, em recente entrevista ao Valor, os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais.
“Os debates são fundamentais, são necessários. Nunca antes na história da democracia brasileira um candidato chegou ao segundo turno com tamanho desconhecimento sobre suas ideias, seus projetos, seu programa de governo”, sustenta ele, destacando que Jair Bolsonaro, em 2018, foi muito mais claro sobre o que pretendia fazer.
A eleição em segundo turno tem uma série de especificidades: o tempo igual dos candidatos, a possibilidade de haver um debate, um encontro entre os dois. E sobretudo uma oportunidade para o Brasil conhecer o Flávio. Eu imagino que alguns eleitores que votaram no movimento anti-Lula conhecem pouco o Flávio do ponto de vista das ideias que ele defende, a sua biografia. Então, é uma oportunidade que os eleitores terão de conhecer o candidato que passou em primeiro lugar. Há um enigma com relação à transferência de votos. Hoje ela parece favorecer mais o Flávio, por razões de alinhamento ideológico. Os candidatos que não passaram estão alinhados com posições mais à direita do espectro político. Então, é um desafio para o Lula, porque, enquanto nas outras eleições em que ele passou para o segundo turno ele tinha um potencial de votos para serem capturados, digamos assim, de candidatos de centro-esquerda, desta vez ele não tem. Mas talvez a gente consiga ver algum nível de debate de ideias e de confronto entre os dois candidatos que a campanha, por várias razões, fez com que nós não tivéssemos oportunidade de observar."
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