06/10/2026
ITAQUARA: MÁQUINA CONTRA PULVERIZAÇÃO — O QUE AS URNAS REVELARAM SOBRE A FORÇA POLÍTICA DOS DOIS LADOS
De um lado, a estrutura do poder. Do outro, uma oposição com menos peças, mas muitos nomes nas urnas. O resultado da eleição expôs um retrato curioso das forças políticas de Itaquara.
A política de Itaquara ganhou um novo capítulo depois da abertura das urnas. E, desta vez, os números colocaram frente a frente duas estratégias completamente diferentes.
De um lado está o grupo ligado ao prefeito Gel de Ricaço, reunindo prefeito, vice-prefeito, ex-prefeitos, ex-vice-prefeito, presidente da Câmara, vereadores, ex-vereadores, secretários, cargos de confiança e uma ampla estrutura administrativa.
Segundo o levantamento apresentado ao SBL, o grupo teria ainda cerca de 120 cargos de confiança e mais de 800 servidores temporários.
Toda essa estrutura teve seus candidatos principais concentrando votos: o deputado federal apoiado pelo grupo chegou a 2.155 votos, enquanto o deputado estadual alcançou 2.150 votos.
Do outro lado, aparece a oposição liderada politicamente por Zé Moraes, ao lado dos vereadores Grande, Graziele e Zezinho, além de ex-vereadores e outras lideranças.
Mas havia uma diferença fundamental: enquanto a situação concentrou sua força em poucos candidatos, a oposição espalhou seus apoios.
Foram sete candidatos a deputado federal, que juntos somaram 1.558 votos, e seis candidatos a deputado estadual, chegando a 1.437 votos.
É aí que começa o mistério político que as urnas deixam para a próxima eleição.
CONCENTRAÇÃO CONTRA PULVERIZAÇÃO
Os números não contam apenas quem ganhou mais votos. Eles revelam estratégias.
A situação mostrou capacidade de concentrar votos em candidatos específicos.
A oposição, por sua vez, mostrou capacidade de espalhar votos por diferentes nomes, mesmo contando com uma estrutura política declaradamente menor, segundo o levantamento.
E existe uma pergunta que a política local certamente vai carregar para os próximos meses: o que aconteceria se essa força pulverizada fosse concentrada em poucos candidatos?
Essa resposta não está nas urnas de agora.
Mas pode estar nas próximas.
O RECADO DAS URNAS
O resultado não permite dizer, isoladamente, que um lado domina definitivamente o outro.
O que ele mostra é algo mais interessante: a situação possui uma estrutura política robusta e conseguiu transformá-la em votação concentrada. A oposição, mesmo fragmentando seus apoios, conseguiu manter presença eleitoral relevante.
Na política, entretanto, número de lideranças não é sinônimo automático de número de votos.
No fim das contas, a urna não vota em lista de aliados.
A urna cobra resultado.
E em Itaquara, depois dessa eleição, uma coisa ficou clara: a disputa de forças está longe de ser encerrada.
O próximo capítulo dessa história ainda será escrito — e, desta vez, poderá ter apenas um nome em cada lado da disputa.