12/09/2019
Encaminhamos nosso primeiro projeto de um curta-metragem documentário para o Edital Estadual. Curioso esse pulsar por algo que com ou sem verba a gente quer fazer (e quem me conhece sabe que vou e faço). Abaixo, um cadin do que anseio.
O mundo interior da criança pode ser comparado, de forma analógica, com uma casa com muitas portas, atrás de cada uma das quais se esconde um universo secreto possível de ser desvendado por quem nele ouse entrar. Entrar não signif**a espionar: entrar signif**a mergulhar em um universo que espelha a alma profunda deste tão grande pequenino ser. Mais do que “ver” a criança é preciso “olhá-la”, percebe-la. Ainda mais crianças que estão sendo criadas e educadas em situações de crise, em ambientes precários e, muitas vezes, duro quanto possibilidade de vivências saudáveis de infância. Mas cabe aqui as indagações profundas a respeito do contexto dessas crianças: o que pode o brincar na vida desses pequenos e dessas pequenas? Como pode esse ato ajudar a resistir as situações de crises diárias e ambientes hostis? Como elas em toda a sua potência criadora da infância, apropriam-se desse espaço vulnerável e fazem dele seu território de brincar?
Como ir ao encontro dessa profundidade, dessa essência que cada criança e que cada um de nós trazemos? Como diz Bachelard, precisamos “reconhecer a permanência, na alma humana, de um núcleo da infância, uma infância imóvel, mas sempre viva, fora da história, oculta para os outros... mas que só tem um ser real nos seus instantes de iluminação...”, e que as fazem resistir (e por que não a nós também quando acessamos esse núcleo da infância em nossas almas) por meio das brincadeiras as situações de vulnerabilidade diárias. É a partir das indagações propostas, observações, percepções e sensibilidades que o documentário será produzido, capturando e registrando esses momentos orgânicos e mediados, em que as crianças fazem do seu território, um território de resistência por meio do brincar.
“O brincar permite que as crianças possam encontrar magia e beleza para enfrentarem situações de conflito e privação de direitos. Criar as condições para que elas possam brincar é garantir sua sobrevivência”.