20/06/2026
Não bastasse engavetar a PEC do fim da escala 6x1 e da redução da jornada, que está desde maio no Senado sem qualquer tramitação, o presidente da Casa Davi Alcolumbre (União-AP) quer alterar profundamente o texto e aprovar medidas de flexibilização defendidas pelos empresários.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Alcolumbre impôs condições para destravar a tramitação da PEC, sendo elas a realização de uma reunião com Lula; fechar um acordo para a escolha do relator e alterações no texto para acolher pedidos dos partidos da extrema direita e da patronal.
Entre as mudanças defendidas por Alcolumbre está a incorporação de trechos da chamada "PEC das Horas Trabalhadas", apresentada pelo PL e outros partidos da extrema direita e do Centrão. O texto prevê a substituição da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) por formas de contratação totalmente flexíveis, baseadas no pagamento por hora trabalhada, e liberação indiscriminada de acordos individuais entre patrões e empregados.
Outra alteração prevê a manutenção da escala 6x1 para determinados setores da economia, especialmente os ligados ao comércio e serviços. Ou seja, um dos principais setores que sofre com essa famigerada escala continuaria sem tempo para a família, para o descanso, para o lazer, para viver.
Não será pela via institucional e com acordões do governo Lula e o Congresso que vamos arrancar essa conquista. Essa semana, em mais um acordo com Hugo Motta, Lula retirou a urgência do PL 1838 que trata do mesmo tema. Com o regime de urgência, após votação pelos deputados, o PL 1838 também iria para o Senado com prazo de até 45 dias para ser apreciado. Uma forma de pressionar Alcolumbre. Mas, o governo abriu mão dessa pressão.
O Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) está convocando o dia 30 de junho como um dia nacional de protestos.
Além das mobilizações no dia 30/6, a CSP-Conlutas defende que é preciso construir uma forte Greve Geral e faz o chamado às demais centrais.
É preciso intensificar a pressão e colocar em prática uma escalada na mobilização para arrancar a aprovação do fim da escala 6x1 e a redução da jornada, sem transição e sem flexibilização de direitos.
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