26/09/2026
EM PLENO MERCADO CENTRAL DE LICHINGA, TAXISTAS LEVANTAM CARTAZES: “JULGAR VENÂNCIO É JULGAR O POVO.
Por Ricardo Rabana.
No coração da cidade de Lichinga, junto ao Mercado Central, um grupo de taxistas decidiu transformar as suas mãos em megafones.
Sem grandes palcos.
Sem microfones.
Sem discursos longos.
Apenas folhas de papel erguidas no ar.
E nelas, uma mensagem que se repetia:
“JULGAR VENÂNCIO É JULGAR O POVO.
Outro cartaz acrescentava:
QUEREMOS ASSISTIR DO PRINCÍPIO ATÉ AO FIM SEM RESTRIÇÕES.
A imagem mostra homens, alguns junto às suas motorizadas, no movimento normal do Mercado Central de Lichinga, mas que, naquele momento, decidiram parar para expor publicamente a sua posição.
O cenário é importante.
Não estamos perante uma sala fechada.
Estamos no mercado, no meio da vida quotidiana, onde o cidadão trabalha, transporta passageiros, vende, compra e conversa sobre os problemas do país.
E foi precisamente ali que apareceu a mensagem sobre o julgamento de Venâncio Mondlane.
O Tribunal Supremo confirmou que o julgamento está marcado para 17 de Novembro de 2026 e decidiu não permitir transmissão audiovisual em directo nem captação de som e imagem durante a audiência. O tribunal, contudo, manteve a possibilidade de acompanhamento presencial e o registo escrito pelos órgãos de comunicação social.
É neste contexto que os cartazes ganham significado.
Os taxistas não estão a proferir uma sentença.
Não estão a substituir o tribunal.
Estão a expressar uma posição pública e a pedir acompanhamento do processo.
E a frase JULGAR VENÂNCIO É JULGAR O POVO deve ser entendida como a mensagem dos manifestantes, não como uma conclusão jurídica sobre o processo.
Mas existe uma pergunta que a imagem coloca:
Por que razão um julgamento político de grande repercussão desperta este tipo de mobilização até entre trabalhadores do transporte no Mercado Central de Lichinga?
A resposta não precisa ser dada por um jornalista.
Pode ser procurada nas próprias imagens.