30/09/2026
𝗤𝘂𝗲𝗺 𝗱𝗲𝗳𝗲𝗻𝗱𝗲 𝗼𝘀 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗷𝗼𝘃𝗲𝗻𝘀? 𝗘𝘀𝗰𝗼𝗹𝗮 𝗲 𝗣𝗦𝗗 𝗿𝗲𝗷𝗲𝗶𝘁𝗮𝗺 𝗘𝗻𝘀𝗶𝗻𝗼 𝗣𝗿𝗼𝗳𝗶𝘀𝘀𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗲𝗺 𝗔𝗿𝗺𝗮𝗺𝗮𝗿.
As intervenções efetuadas na Assembleia Municipal de 28 de setembro sobre o ENSINO deixaram uma coisa clara: em Armamar continua a haver quem encontre sempre uma razão para explicar por que não se pode fazer aquilo que outros concelhos fazem — e fazem com sucesso.
Um eleito do PSD com responsabilidades no Agrupamento de Escolas e o próprio Diretor do Agrupamento manifestaram-se contra o avanço do ensino profissional, sustentando que esta oferta poderia colocar em causa o ensino secundário existente.
É uma posição que merece ser politicamente confrontada. Primeiro, porque contraria um compromisso eleitoral assumido pelo próprio PSD perante os Armamarenses. Segundo, porque parte da ideia resignada de que Armamar tem um número de alunos predeterminado e que a única solução é disputar esses alunos entre ofertas, em vez de criar condições para fixar os nossos jovens e atrair alunos de outros concelhos.
É igualmente lamentável a consideração feita pelo Presidente da Câmara sobre a proveniência dos alunos e, concretamente, a referência aos alunos oriundos dos PALOP.
Não apenas pelo que representa introduzir a nacionalidade ou a origem dos alunos numa discussão que deveria ser sobre educação, qualificação e desenvolvimento, mas também porque revela desconhecimento de uma realidade que mudou profundamente nos últimos anos: os alunos internacionais que hoje chegam aos nossos territórios têm proveniências cada vez mais diversificadas, de um número crescente de países e geografias, muito para além dos PALOP.
Reduzir esta realidade aos “alunos dos PALOP” é não compreender aquilo que está a acontecer no território. E, sobretudo, é colocar mal a questão.
𝗔 𝗾𝘂𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗮 𝗻𝗮̃𝗼 𝘀𝗲 𝗺𝗲𝗱𝗲 𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗮𝗽𝗼𝗿𝘁𝗲 𝗱𝗼𝘀 𝘀𝗲𝘂𝘀 𝗮𝗹𝘂𝗻𝗼𝘀.
O que deve interessar a Armamar é saber se conseguimos ter uma escola atrativa, com formação de qualidade, capaz de responder às expectativas dos jovens e às necessidades das empresas e, simultaneamente, de atrair pessoas para o concelho.
Numa região em que setores como o turismo, a hotelaria, a restauração, a agricultura e outras atividades económicas enfrentam dificuldades no recrutamento de trabalhadores, é ainda mais difícil compreender que se transforme a proveniência dos alunos num problema. Muitos destes jovens estudam, trabalham, consomem, arrendam habitação e contribuem para a atividade económica dos territórios onde estão inseridos.
𝗢 𝗘𝗻𝘀𝗶𝗻𝗼 𝗣𝗿𝗼𝗳𝗶𝘀𝘀𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗿 𝗽𝗿𝗲𝗰𝗶𝘀𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗱𝗮𝘀 𝗽𝗼𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗲𝗱𝘂𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼, 𝗾𝘂𝗮𝗹𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼, 𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲𝘀𝗮𝘀, 𝗮𝘁𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗷𝗼𝘃𝗲𝗻𝘀 𝗲 𝗱𝗲𝘀𝗲𝗻𝘃𝗼𝗹𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗲𝗰𝗼𝗻𝗼́𝗺𝗶𝗰𝗼.
Foi também dito que quem fala de educação deve saber do que fala. Concordamos.
Mas essa exigência tem de valer para todos, incluindo para aqueles que se apresentam como especialistas na matéria, mas pelos vistos são pseudo-especialistas!
Porque, antes de decretarmos que o ensino profissional vai destruir o ensino secundário de Armamar, talvez fosse útil olhar para aquilo que acontece nos concelhos que estão a fazer diferente.
Há vários exemplos que demonstram que o Ensino Profissional e o Ensino Secundário regular não têm de ser adversários. Sernancelhe tem uma Escola Profissional desde 1993 e, mais de três décadas depois, avançou também com o Ensino Secundário regular.
Em vez de desinvestir no Ensino Profissional para proteger o ensino regular, continua a apresentar uma oferta diversificada em áreas como Mecatrónica, Contabilidade, Soldadura, Informática, Desporto, Restauração e Saúde.
Como consegue Sernancelhe manter uma Escola Profissional, continuar a apostar nela e, simultaneamente, criar o ensino secundário regular, enquanto em Armamar nos querem convencer de que uma oferta põe necessariamente em causa a outra?
Um jovem que queira frequentar o ensino profissional e não encontre essa resposta em Armamar não passa automaticamente para o ensino regular. Pode simplesmente sair do concelho, estudar e estagiar noutro território e acabar por construir aí o seu futuro.
É precisamente esse ciclo que temos de quebrar.
Os territórios do Interior não combatem a perda de população oferecendo menos oportunidades. Combatem-na oferecendo mais, diversificando a educação, aproximando escolas e empresas e procurando captar e fixar jovens.
Por isso, em Armamar, a discussão não deveria ser sobre qual das ofertas queremos proteger da outra. Deveria ser sobre como podemos ter as duas, diferenciá-las, atrair alunos de outros territórios e ligar a formação às necessidades das nossas empresas.
Na última Assembleia Municipal, o PSD e a direção do Agrupamento decidiram virar as costas ao Ensino Profissional.
𝗘𝗻𝗾𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼 𝗲𝗹𝗲𝘀 𝘁𝗿𝗮𝘃𝗮𝗺 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼, 𝗻𝗼́𝘀 𝗱𝗲𝗳𝗲𝗻𝗱𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗔𝗿𝗺𝗮𝗺𝗮𝗿 𝘁𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗻𝗰̧𝗮𝗿.
Pelo futuro dos nossos jovens, dizemos não ao bloqueio!