11/09/2026
A pensar na nossa rua das oliveiras...
A oliveira é provavelmente a planta cultivada mais longeva do mundo — oliveiras com mais de 2.000 anos, datadas com métodos de radiocarbono, existem em Portugal, Espanha, Grécia e Croácia — e a longevidade extraordinária não resulta de imortalidade individual, mas de um sistema de regeneração que permite à planta substituir progressivamente o material morto por material vivo novo.
O tronco retorcido da oliveira centenária é frequentemente composto por várias estruturas que cresceram e se fundiram ao longo dos séculos.
Quando parte do tronco morre — por doença, por seca extrema ou por fogo — os pés-francos que emergem das raízes retomam o crescimento e eventualmente substituem os troncos mortos, mantendo o sistema radicular e a identidade genética da planta original.
A propagação por estaca — o método usado para manter as variedades comerciais — transmite exactamente o material genético da planta mãe: uma estaca da Galega Vulgar produz uma oliveira geneticamente idêntica à original, com as mesmas características de fruto, azeite e calendário de floração.
A semente, pelo contrário, combina o material genético de duas plantas e produz um indivíduo geneticamente diferente — razão pela qual as oliveiras germinadas de sementes raramente têm valor comercial equivalente às variedades parentais.
A poda correcta da oliveira segue uma lógica específica: em Fevereiro — nunca antes, porque a floração de Maio precisa dos ramos do ano anterior — removem-se os ramos que crescem para o interior da copa e os que se cruzam, mantendo uma forma de "taça" aberta que permite à luz solar atingir todos os ramos frutíferos.
Oliveiras não podadas durante anos ficam densas e produzem muito menos fruto por árvore.