30/10/2026
ANTES, DIZIA-SE QUE NADA SE FAZIA. AGORA, TUDO SE FAZ PARA IMPEDIR QUE SE FAÇA.
Estive hoje no Algarve com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, quando recebemos a notícia do embargo da dessalinizadora pela Câmara de Albufeira.
Esta obra integra um programa de 683 milhões de euros de investimento em curso na água no Algarve, que inclui a redução de perdas, a eficiência, o armazenamento e a reutilização. A dessalinização surge como solução de último recurso, complementar às restantes medidas, para reforçar a segurança da região.
Em 2023, enquanto deputado, o atual Presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, subscreveu uma iniciativa parlamentar favorável à instalação de centrais de dessalinização.
Mais tarde, como presidente da Câmara, declarou-se «frontalmente contra» este projeto.
Hoje, afirma que não é contra. Porém, determina o embargo da obra.
Se a Câmara reconhece o interesse público da dessalinizadora e admite que a obra pode ser regularizada mediante reconhecimento pela Assembleia Municipal, por que razão não promoveu uma solução institucional que evitasse a paralisação? Aliás, quem tem competência para propor essa deliberação é justamente o Presidente da Câmara.
Para além disso, reuniu ontem o Conselho de Administração da Águas do Algarve, empresa pública responsável pela obra, da qual o Presidente da Câmara de Albufeira faz parte do Conselho de Administração, por indicação da Associação de Municípios do Algarve.
Segundo a informação que me foi transmitida, não informou os restantes administradores do embargo, nem suscitou a questão ou propôs uma solução.
A lei é para cumprir. Isso não está em causa. Na política devemos trabalhar para resolver problemas, não para os criar.
Há um estranho paradoxo. Durante anos, criticou-se e bem a ausência de investimentos estruturantes no Algarve.
Eu fui um dos que o fiz.
Agora que avançam, há muitos que lhes querem fazer frente.
A água não tem cor partidária. É essencial às famílias, à agricultura, às empresas e ao futuro da região. Sabemos o que dói a sua escassez.
«Nós não vamos desistir do Algarve.»