11/10/2026
EXPO FUNDÃO 2026:
ENTRE OS NÚMEROS ANUNCIADOS E OS RESULTADOS POR DEMONSTRAR
O Relatório de Avaliação da EXPO Fundão 2026 apresenta números expressivos sobre a participação, a atividade económica e a projeção mediática da iniciativa. Mas uma leitura atenta revela que parte signif**ativa dos resultados anunciados assenta em estimativas e pressupostos que exigem maior fundamentação, transparência e rigor.
A CDU Fundão reconhece a importância da EXPO na promoção do concelho, na valorização das atividades económicas e na dinamização cultural e social. Valoriza o trabalho dos expositores, trabalhadores, artistas, associações e demais participantes, bem como a divulgação pública de informação sobre a iniciativa.
Mas reconhecer o mérito da iniciativa não signif**a aceitar, sem escrutínio, os números e as conclusões apresentados pela Câmara Municipal nos relatórios divulgados.
1. ATIVIDADE ECONÓMICA: ESTIMATIVAS NÃO SÃO RESULTADOS COMPROVADOS
O relatório anuncia 2,23 milhões de euros de circulação económica bruta, incluindo cerca de 1,32 milhões de euros de atividade económica direta no recinto.
A estimativa das vendas dos 140 participantes económicos baseia-se em apenas 55 respostas a um inquérito, complementadas por outros dados e pressupostos. A extrapolação utilizou o limite superior dos intervalos de faturação, podendo sobrestimar os resultados.
Acrescem 250 mil euros de consumo complementar, calculados através da atribuição de cinco euros a cada uma das 50 mil participações estimadas, sem demonstração suficiente de que estes consumos não estejam já incluídos nas vendas consideradas.
A CDU não questiona a utilização de estimativas. Questiona a sua consistência, os critérios adotados e a ausência de informação suficiente para verif**ar os resultados.
2. PARTICIPAÇÃO: 50 MIL ENTRADAS OU UMA HIPÓTESE DE CÁLCULO?
As 50 mil participações anunciadas não resultam de uma contagem sistemática, mas da adoção de uma média de cinco mil participações diárias durante os dez dias da EXPO.
O próprio relatório reconhece que não se trata de visitantes únicos. Esta estimativa serve, contudo, de base a outros cálculos económicos, designadamente o consumo complementar no recinto e a atividade gerada fora dele.
Quando uma estimativa serve de fundamento a outras estimativas, a incerteza dos resultados aumenta e deve ser claramente apresentada.
3. CONTAS PÚBLICAS: 650 MIL EUROS DE CUSTO TOTAL, 356 MIL DE ENCARGO MUNICIPAL
A EXPO custou cerca de 650 mil euros, e não 356 mil euros, como foi afirmado na Assembleia Municipal. O relatório apresenta uma despesa pública total de 649.644,79 euros, parcialmente compensada por 293.442 euros de receitas e financiamento, f**ando um encargo líquido municipal de 356.202,79 euros.
O custo é o valor total gasto na realização da EXPO. O encargo líquido é o valor que ficou a cargo do Município depois de descontadas as receitas e o financiamento obtido. Confundir estes dois conceitos transmite uma ideia errada sobre o verdadeiro custo da iniciativa.
Acresce que o relatório não discrimina suficientemente as despesas nem esclarece se foram contabilizados todos os recursos humanos, materiais e outros meios municipais utilizados.
Também o rácio de mobilização económica próximo de oito não representa rentabilidade financeira nem signif**a que cada euro gasto tenha gerado oito euros de riqueza.
A transparência exige distinguir claramente quanto custou a EXPO, como foi financiada e quanto ficou efetivamente a cargo do Município.
4. PROJEÇÃO MEDIÁTICA: VISIBILIDADE NÃO É RETORNO ECONÓMICO
Os 7,8 milhões de visualizações digitais constituem um indicador de projeção da iniciativa, mas não correspondem necessariamente ao mesmo número de pessoas alcançadas.
Também os 642.919 euros de equivalência publicitária não representam receitas municipais, dinheiro recebido pelas empresas ou riqueza efetivamente criada no concelho.
O próprio relatório distingue estes indicadores dos fluxos económicos. Contudo, a apresentação de uma «dimensão económica e mediática global» próxima de três milhões de euros pode induzir em erro, ao agregar vendas estimadas, impactos económicos indiretos e valorização da exposição mediática, como se todos representassem riqueza efetivamente gerada. São valores de natureza distinta, que não devem ser confundidos com receitas reais ou benefícios económicos comprovados.
Divulgação e notoriedade são importantes, mas não demonstram, por si só, benefícios económicos efetivos.
5. UM RELATÓRIO DE 52 PÁGINAS: MUITA IMAGEM, INFORMAÇÃO AINDA INSUFICIENTE
O relatório tem 52 páginas, cerca de metade exclusivamente dedicadas a fotografias e registos visuais. A documentação fotográf**a tem interesse enquanto memória da iniciativa. Contudo, contrasta com o espaço relativamente reduzido dedicado à apresentação das contas, à fundamentação das estimativas económicas e à demonstração dos resultados.
Um relatório de avaliação deve permitir não apenas conhecer o que aconteceu, mas compreender, analisar e verif**ar os resultados alcançados.
6. RECOMENDAÇÕES PARA FUTURAS EDIÇÕES: ORIENTAÇÕES PERTINENTES, MAS POUCO CONCRETAS
O relatório apresenta recomendações pertinentes, que a CDU valoriza, mas sem prioridades, metas, responsáveis ou prazos definidos, apoiadas num inquérito com apenas 108 respostas.
É signif**ativo que se recomende para futuras edições aquilo que faltou em 2026: contagem rigorosa de visitantes, dados sobre vendas e acompanhamento dos negócios realizados.
Reconhecer estas necessidades implica admitir as limitações da avaliação apresentada.
As recomendações devem traduzir-se num plano concreto de melhorias, com objetivos, prazos e indicadores verificáveis.
7. O QUE FICOU PARA A ECONOMIA LOCAL?
Apresentada como iniciativa de promoção económica e empresarial, importa avaliar os resultados da EXPO para além das vendas estimadas durante os dez dias: que negócios se concretizaram, que contactos tiveram continuidade, que benefícios foram comprovados para a economia local e que compromissos resultaram das Fundão Talks?
O relatório não permite responder suficientemente a estas questões, essenciais para avaliar os benefícios duradouros da iniciativa.
A CDU EXIGE TRANSPARÊNCIA, RIGOR E RESULTADOS VERIFICÁVEIS
A CDU Fundão reconhece os benefícios culturais, sociais e económicos que a EXPO poderá ter proporcionado, mas exige contas claras e distinção entre resultados comprovados, estimativas e benefícios por demonstrar.
É necessário divulgar despesas e receitas, fundamentar as estimativas, avaliar os benefícios para a economia local e definir melhorias futuras.
Importa saber o que a EXPO efetivamente gerou, quem beneficiou e que resultados f**aram para o concelho. Promover o Fundão é importante, mas mais importante ainda é garantir benefícios duradouros para a economia local e para a população.
Fundão, 11 de Outubro de 2026
CDU — Coligação Democrática Unitária | Fundão