12/10/2026
João Rui de Sousa (Lisboa, 12 de outubro de 1928 – Lisboa, 17 de junho de 2022) foi um poeta, ensaísta, crítico literário e tradutor português. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Lisboa, depois de ter frequentado a Escola Prática de Agricultura D. Dinis, na Paiã. A sua atividade literária desenvolveu-se sobretudo nos domínios da poesia, do ensaio e da crítica literária.
A sua estreia literária ocorreu em 1955, na revista «Cassiopeia», que dirigiu juntamente com António Ramos Rosa, António Carlos, José Bento e José Terra. A partir de 1960, com Circulação e A Hipérbole na Cidade, desenvolveu uma importante obra poética, marcada por uma linguagem rigorosa e reflexiva, bem como por uma particular atenção ao real.
Paralelamente à poesia, destacou-se como ensaísta e crítico literário, escrevendo sobre numerosos autores portugueses, entre os quais Fernando Pessoa, Cesário Verde, Mário Saa, Adolfo Casais Monteiro e António Ramos Rosa. Trabalhou como investigador na Biblioteca Nacional de Portugal entre 1982 e 1993, dedicando-se especialmente ao estudo e à organização de espólios literários.
Entre as suas obras encontram-se Meditação em Samos (1970), Corpo Terrestre (1972), O Fogo Repartido (1983), Este Rio de Quatro Afluentes (1988), Obstinação do Corpo (1996), Obra Poética 1960–2000 (2002), Lavra e Pousio (2005) e Quarteto para as Próximas Chuvas (2008).
A sua obra foi distinguida com importantes prémios, incluindo o Prémio da Crítica, pela Obra Poética 1960–2000, o Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes e o Prémio António Ramos Rosa, por Quarteto para as Próximas Chuvas. Em 2012, recebeu o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, pelo conjunto da sua carreira.
João Rui de Sousa é reconhecido como uma das figuras relevantes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, tendo deixado uma obra que cruza poesia, crítica, ensaio e investigação literária. A Biblioteca Nacional conserva o seu arquivo pessoal (BNP Esp. N76).