05/01/2023
Motoristas 3ª Companhia RSB
Página dos motoristas da 3ª Companhia
05/01/2023
31/01/2022
Bom dia...
08/01/2022
Atenção à velocidade excessiva em curva para um centro de gravidade elevado
24/08/2018
Veículo plataforma 45 metros
29/12/2017
Importante ler.....
ATAQUE ÀS MOTOS
Os índices de acidentes de moto têm sido alvo de alarmantes notícias em diversos órgãos de comunicação social nos últimos tempos.
De uma forma desonesta (porque mente) e imoral (porque tenta tirar proveitos da desgraça), a ANCIA-Associação Nacional de Centros de Inspecção Automóvel está em cada “esquina” à espera dessas notícias e da oportunidade para argumentar que o que faz falta para diminuir o número de acidentes são as inspecções às motos… quando todos sabem que apenas 0,3% dos acidentes de moto são provocados por falha mecânica; este é um dado baseado num estudo (MAIDS) apresentado por um professor do IST–Instituto Superior Técnico e estudioso desta matéria, durante um colóquio promovido pela própria ANCIA. Mas, segundo a ANSR, até podemos ir mais além nestes valores que o panorama não se altera significativamente…
Então, os dados da ANSR apresentados nesse mesmo colóquio e sem particularizar veículos de duas rodas - são dados relativos a todos os veículos que na globalidade circulam nas estradas - há três factores a considerar nos acidentes rodoviários, o factor humano que está presente em 96% dos acidentes, o factor exclusivamente rodoviário em 2% e o factor exclusivamente veículo em 2%. Portanto, estamos aqui perante valores da própria ANSR onde aparecem 2% dos acidentes causados por falha no veículo. São números que não deixam qualquer dúvida sobre onde se deve actuar de facto (e sem demagogias) no sentido de alterar o quadro de acidentes rodoviários no nosso país, ou seja, no factor humano apostando sobretudo na formação cívica. O resto são tretas…
De repente chegou-se à conclusão que morreram mais motociclistas este ano do que nos anos anteriores sendo lançados números crus e sem qualquer interpretação a acompanhá-los. Obviamente, e mantendo-se o actual “status-quo” rodoviário nacional, quantos mais veículos andarem na estrada e quantos mais quilómetros estes fizerem, mais acidentes acontecem mas, mesmo aumentando esses números, em termos proporcionais, esses valores podem até baixar. Assim, o que levou a haver mais acidentes com motos e consequentemente mais mortes, foi simplesmente o número de motos vendidas ter aumentado substancialmente, (números da ACAP: entre janeiro e outubro - 36863 em 2016 e 47114 em 2017; mais 28%) havendo portanto mais gente a andar de moto, a que se aliou também este ano um clima propício a esta prática; até há muito pouco tempo não houve inverno e muitas das motos que normalmente “hibernam”, continuaram a circular. Mas, há também mais um importantíssimo dado que até agora não constou nessas notícias da desgraça e que é saber exactamente o que dizem as estatísticas relacionadas com os acidentes com motos; e o que dizem é que em mais de 60% desses acidentes há o envolvimento de um outro veículo (automóvel, camião ,etc) e que em igualmente mais de 60% destes casos a culpa é do ”enlatado”. Significativo.
Resumindo. O problema da sinistralidade rodoviária existe e é transversal em termos de utentes das estradas mas, o que não podemos aceitar como motociclistas é que andem a tentar aproveitar-se disso para um negócio (Inspecções) e que por detrás de cada notícia relacionada com o assunto venha a sistemática mensagem de que as motos são perigosas e “matam que se fartam”… As motos estão aí para ficar, porque cada vez mais são a melhor resposta, em termos de solução particular, aos crescentes problemas de mobilidade. Justamente por isso, as motos estão em Portugal a invadir os grandes centros urbanos numa escala ainda muito reduzida em comparação com o que se passa no resto da Europa Ocidental e até quase pelo Mundo inteiro. Assim, não podemos ficar indiferentes ao problema da sinistralidade, porque ele existe e pode afectar cada um que anda de bicicleta, de moto, de carro, camião ou mesmo a pé, sendo que, neste caso como não há lobbys por detrás a pressionar… ninguém fala ou escreve sobre o número de peões que morrem todos os anos.
Sabemos que em 96% dos acidentes há falha humana, este é de facto o factor que nos deve levar a pensar naquilo que andamos a fazer na estrada e nos deve levar a mudar alguns comportamentos de risco indo desse modo ao encontro do supracitado civismo. Enfim, comportamentos de risco não se coadunam com segurança e os governantes deviam tratar do problema com um sentido estadista e não com o de “governante a prazo” onde o objectivo é engordar as receitas através da única política de prevenção rodoviária usada no nosso país que é a “caça à multa”.
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