12/11/2025
O Peso Invisível da Exposição Constante
O racismo e o anticiganismo nas redes sociais não são apenas "opiniões" ou textos anónimos, são microagressões contínuas que se somam e se enraízam, causando um profundo impacto na saúde mental e emocional.
Ser alvo constante de comentários de ódio, estereótipos e discriminação, apenas pela sua identidade, gera um estado de hipervigilância e stress tóxico.
A dor é real. Esta exposição pode levar à ansiedade, exaustão emocional, sentimentos de isolamento.
A dor e frustração são sintomas de um problema social que a maioria deve ajudar a curar. A responsabilidade de parar o ódio recai sobre aqueles que o perpetuam e, crucialmente, sobre a maioria silenciosa que tem o poder de se posicionar e dizer basta.
12/11/2025
Almerindo Lima é uma figura conhecida em Portugal como ativista da comunidade cigana, especialmente na região do Médio Tejo.
Ativismo de Almerindo Lima
Liderança Associativa
É o Presidente da Associação de Solidariedade Social com a Comunidade Cigana e Minorias Étnicas do Médio Tejo (ACMET), com sede em Tomar.
Foco na Educação e Inclusão
O seu trabalho, nomeadamente através da ACMET, visa a preservação da cultura cigana, a promoção de oportunidades educativas e desportivas para crianças e jovens, e o combate à exclusão social.
Dinamizador Comunitário
Foi dinamizador comunitário do Projeto Escolhas (5G Rumo Certo de Tomar), focado no sucesso escolar da etnia cigana.
Combate à Discriminação
Almerindo Lima é ativo na denúncia de casos de discriminação, incluindo, por exemplo, a criação de turmas segregadas para alunos ciganos na Escola B1 Templários em Tomar (em 2014) e a queixa coletiva contra comentários online racistas (em 2019).
Diálogo Institucional
Participou em encontros de alto nível. Em 2017, esteve presente numa audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na qual lhe entregou a medalha "Rroma Opre", simbolizando o trabalho pela inclusão.
Estratégia Nacional:
Implementação dos Eixos Prioritários
A atuação de Almerindo Lima e da ACMET em Tomar concentra-se nos mesmos pilares da ENICC, nomeadamente.
Habitação
Através da luta pela melhoria das condições de alojamento, abordando diretamente a prioridade da ENICC de melhoria das condições de habitação.
Educação
Através de iniciativas para a promoção do reforço da escolarização e do sucesso educativo de crianças e jovens ciganos, outro eixo central da Estratégia Nacional.
Voz da Sociedade Civil
A Estratégia Nacional é revista periodicamente e o processo de revisão inclui uma "auscultação ampla" de entidades da sociedade civil e autarquias. Como presidente da ACMET, Almerindo Lima representa uma das entidades locais, assegurando que as realidades e necessidades da comunidade cigana sejam levadas em conta nos objetivos e metas definidos a nível nacional.
Combate à Discriminação
O ativismo de Lima no combate ao racismo e à segregação (como as que ocorreram em escolas) corresponde à prioridade da ENICC de promover uma cidadania inclusiva e de não discriminação e de combate ao anticiganismo.
Em resumo, Almerindo Lima é um dos rostos mais visíveis do movimento associativo cigano na região de Médio Tejo, com um forte empenho na luta contra o preconceito e pela integração através de projetos sociais e educativos.
07/11/2025
Votar no Ódio é Financiá-lo
É inaceitável para mim ver o voto, o pilar da nossa liberdade, a ser usado para sustentar o Chega. Não consigo conceber como se financia, com legitimidade democrática, um projeto político que vive da ofensa, da plantação de ódio e da hostilidade.
Cada boletim nas urnas é, no fundo, um cheque passado à intolerância. Eu assisto, horrorizado, à forma como o discurso mais destrutivo é amplificado e normalizado. É a autodestruição da civilidade, e eu não quero ser cúmplice desta normalização.
24/10/2025
Aviso Importante
Não Partilhe Ódio Falso.
Se observar a circulação de flyers ou posters com frases ofensivas sobre a comunidade cigana atribuídas a partidos, com um aspeto radical, por favor, PARE e PENSE.
Muitos destes conteúdos são Marketing Falso (Fake Marketing), criados propositadamente para:
Chocar e viralizar, gerando tráfego e atenção.
Instrumentalizar o debate, fazendo as pessoas discutirem uma mentira em vez de factos.
Aumentar a polarização e o ódio na sociedade.
Ao partilhar este tipo de material, mesmo para criticar, está a fazer o jogo de quem o criou.
Não partilhe o ódio, partilhe a verdade. Recuse-se a dar palco à desinformação e ao preconceito, seja qual for a sua origem.
A nossa luta é contra o ódio e contra a mentira. Não se deixe manipular.
03/10/2025
Esta semana, muitos de nós fomos rápidos a apontar o dedo. Um grupo de ciganos envolveu-se numa cena de violência, espancando um indivíduo em plena rua. Imediatamente, surgiram críticas, acusações e, como sempre, generalizações. A comunidade cigana voltou a ser colocada no banco dos réus da opinião pública, como se a culpa de uns se estendesse automaticamente a todos.
Mas poucos procuraram entender o que realmente se passou. Ninguém quis saber que o homem agredido tinha espancado duas mulheres momentos antes. Não, isso não justifica a violência, nenhuma violência se justifica. E este texto não é uma defesa de quem agride, de quem se vinga ou de quem vive à margem da lei. Mas é, sim, um apelo à reflexão: por que razão somos tão rápidos a julgar o que vemos sem procurar saber o que está por trás?
Enquanto nos distraímos com estes episódios de rua trágicos, sim, mas muitas vezes mal compreendidos ignoramos o que realmente nos devia chocar como sociedade. Esta semana, o verdadeiro caso grave não teve lugar nas ruas, mas nos corredores do poder: Ministério Público versus Ivo Rosa.
Aqui, não se trata de murros ou pontapés, mas de algo potencialmente mais destrutivo: o descrédito na justiça. Quando um juiz está envolvido em polémicas sérias e o órgão que devia garantir o cumprimento da lei parece estar em guerra interna, estamos perante um problema de fundo. Um problema que mina a confiança de todos num sistema que devia ser imparcial, firme e transparente.
Portanto, antes de gastar toda a nossa indignação com os casos que nos aparecem em vídeos mal gravados e partilhas virais, talvez devêssemos olhar com mais atenção para os bastidores do poder. Porque o que se decide ali tem impacto em todos nós.
Usem os neurónios. Reflitam. E, acima de tudo, procurem a verdade antes de julgar e condenar.
Almerindo Lima.
30/09/2025
O mistério da educação parece doente e desactualizado, aprisionado em práticas que já não respondem às necessidades. Professores à beira da reforma enfrentam condições que minam a sua motivação e criatividade, o ambiente escolar luta para acompanhar as mudanças da sociedade. Auxiliares da educação, muitas vezes sem a formação adequada, são sobrecarregados e mal aproveitados, sem o suporte necessário para desempenharem plenamente o seu papel. E, no topo do problema, a falta de docentes em várias áreas agrava o desequilíbrio, comprometendo o acesso e a qualidade do ensino. É hora de esquecer os números e investir em formação, condições de trabalho dignas e políticas que valorizem quem educa, para que a escola volte a ser um espaço de descobertas, inclusão e futuro.
Almerindo Lima
08/09/2025
No Dia da Literacia, importa destacar que a falta de literacia é um dos principais desafios enfrentados pelas comunidades ciganas em Portugal:
Apenas 2,5 % dos ciganos completaram o ensino secundário ou níveis superiores.
Público jornal
A taxa de analfabetismo nessa comunidade é de cerca de 15,5 %, e aproximadamente 30 % não completaram o 1.º ciclo; cerca de 39 % concluíram apenas o ensino básico (com predominância do 1.º ciclo).
Público jornal
Entre os jovens, os dados de 2016 indicam que cerca de 90 % dos jovens ciganos entre os 18 e os 24 anos abandonaram precocemente o ensino e a formação.
Acegis
Estudos regionais — como o de Reguengos de Monsaraz — mostram realidades ainda mais graves: 75 % dos inquiridos abandonaram a escola, e 38 % não sabem ler.
Ciência Iscte
Além disso, mulheres ciganas tendem a apresentar níveis de escolaridade ainda mais baixos que os homens, evidenciando desigualdades de género persistentes.
Texto resumido para assinalar o tema no Dia da Literacia:
"A literacia é um direito fundamental, mas nas comunidades ciganas em Portugal continua a ser um enorme desafio. Apenas cerca de 2,5 % completou o ensino secundário; mais de 15 % são adultas/os analfabetas, e quase 90 % dos/as jovens abandonaram precocemente o sistema educativo. Em alguns contextos, até 38 % dos/as inquiridos/as não sabem ler. As mulheres ciganas são ainda mais afetadas. No Dia da Literacia, é urgente reforçar políticas inclusivas que promovam o acesso ao ensino, combatam a exclusão escolar e valorizem a literacia ao serviço da cidadania."
21/07/2025
Uma iniciativa importante para combater o abandono precoce escolar nas comunidades ciganas é a criação de gabinetes especializados de apoio ao professor e encarregados de educação. Os gabinetes teriam como objetivo oferecer formação específica e acompanhamento aos professores, para que possam compreender melhor as particularidades culturais e sociais das comunidades, promovendo uma abordagem mais inclusiva e sensível às suas necessidades. Além disso, poderiam atuar no acompanhamento individualizado dos alunos, envolvendo os encarregados de educação e facilitando a resolução de dificuldades que possam contribuir para o absentismo e abandono escolar.