30/10/2026
DIÁLOGO NÃO É UM FAVOR. É A SOBREVIVÊNCIA DE MOÇAMBIQUE
Por: Salomão Mondlane
Moçambique não precisa de um milagre. Precisa de uma mesa.
Essa mesa chama-se diálogo inclusivo. E nessa mesa, há um homem que a FRELIMO deve enfrentar, não num tribunal, mas numa sala política — Venâncio Mondlane, Presidente do ANAMOLA.
O falecido Dr. José Chicuarra Massinga, líder do Partido Nacional Democrático (PANADE), disse claramente: “O diálogo é a única maquinaria para uma paz e liberdade duradouras para o nosso país.”
Não há outra maquinaria. Não há atalho. Não há plano B.
O ANAMOLA não é um pequeno grupo de elites. É a mulher do mercado que luta para sobreviver. É o motorista de chapa que trabalha o dia todo. É o estudante com um diploma e sem emprego. É a mãe que dá à luz no chão de um hospital que a FRELIMO afirma ter construído. Venâncio não lidera apenas um partido. Ele representa o povo.
E o que faz a FRELIMO com o homem com quem deveria estar a conversar?
Coloca-o em julgamento.
Sabendo que ele não cometeu crime nenhum. Sabendo que as acusações são falsas. Sabendo que o mundo inteiro está a assistir.
Este é o maior erro da política moçambicana moderna. Não se pode colocar a chave da paz em julgamento e depois falar de paz. Não se pode destruir a ponte que se precisa atravessar.
Isto não é justiça. Isto é o medo a usar os tribunais.
Mahatma Gandhi alertou: “Olho por olho, e o mundo acabará cego.” A FRELIMO está a cegar Moçambique.
Martin Luther King Jr. disse: “A verdadeira paz não é meramente a ausência de tensão; é a presença de justiça.” Não há justiça num processo criado para silenciar a voz do povo.
Que fique claro:
Ignorar Venâncio é abandonar o povo.
Processar Venâncio é criar o caos.
Silenciar Venâncio é desrespeitar todos os acordos de paz já assinados em Roma, em Maputo e com sangue.
Para que serviram todos esses acordos? Basearam-se num acordo: Nós conversamos. Não nos eliminamos uns aos outros. A FRELIMO hoje está a quebrar o mesmo acordo que manteve este país vivo.
Nós entendemos o plano. Prender o ANAMOLA no tribunal, amarrar Venâncio com processos judiciais, e dão a Daniel Chapo dois anos de silêncio artificial. Mantém o poder através da repressão. Pode parecer inteligente.
Mas vai falhar.
Porque o que vem a seguir?
Um país onde as eleições não significam nada, onde o principal líder da oposição é um réu, onde o diálogo é substituído por processos judiciais, não pode sobreviver. Nenhum investidor confiará num tribunal que é usado como arma política. Nenhum jovem acreditará num futuro construído sobre falsas acusações. A guerra em Cabo Delgado não vai acabar por perseguir pessoas em Maputo. O preço do pão não vai baixar porque prenderam um líder popular.
A repressão é cara. Toda a nação paga por ela.
O diálogo é mais barato. Só exige humildade.
Se a FRELIMO realmente acredita, mesmo que por um segundo, que Moçambique pertence aos moçambicanos e não a um partido, deve fazer a única coisa patriótica que resta:
Retirar as falsas acusações. Parar o julgamento. Trazer a mesa.
Sentar-se com o ANAMOLA. Sentar-se com Venâncio. Frente a frente. Moçambicano para moçambicano.
No dia 17 de Novembro, Venâncio não irá a esse tribunal com um exército. Irá com o povo e com uma Bíblia.
A história não se lembrará do julgamento de um homem naquele dia.
A história lembrar-se-á do julgamento de um regime que escolheu a perseguição em vez da paz.
O ANAMOLA está pronta.
A FRELIMO está pronta para salvar Moçambique?
Revisão: CFI-Aleferga/GDIF