25/10/2026
O volante da coerência
Na reunião, Paulo Silva defendeu o direito à greve e, ao que parece, até os portões do estacionamento municipal respeitaram a decisão. Mas, quando chegou o dia da paralisação, surgiu um pequeno imprevisto: o motorista estava em greve — e a viagem até ao Algarve, essa, não podia esperar.
Foi então que o presidente assumiu o volante. Uma solução prática, sem dúvida: se o trabalhador não está, conduz-se a viatura. Só f**a a dúvida — quando alguém ocupa, ainda que por umas horas, o lugar de quem está em greve, isso é apenas desenrascanço ou é atravessar a greve ao volante?
Afinal, respeitar o direito à greve é importante. Mas, pelos vistos, também é importante chegar a horas para receber prémios. E assim se descobre uma nova competência autárquica: além de governar, conduzir — sobretudo quando o motorista não pode.