28/09/2026
DECLARAÇÃO DA COMISSÃO POLÍTICA DO PSD DE SILVES
A Comissão Política do PSD de Silves tomou conhecimento da reportagem transmitida pela NOW sobre São Marcos da Serra e das declarações proferidas posteriormente pelo painel de comentadores.
Independentemente do conteúdo e do juízo que cada cidadão possa fazer sobre os assuntos abordados na reportagem, entendemos que é importante afirmar algo que não pode ser confundido com qualquer posição sobre os factos concretamente retratados:
São Marcos da Serra e as suas gentes merecem respeito.
Não consideramos aceitável que uma comunidade inteira seja caracterizada ou desvalorizada com base em situações particulares, nem que se transmita a ideia de que São Marcos da Serra é um lugar onde não será aconselhável viver.
São Marcos da Serra é uma comunidade com história, identidade e um profundo sentido de pertença. Como qualquer outra comunidade, terá os seus problemas, as suas virtudes e as suas dificuldades. Esses problemas devem ser tratados com seriedade, pelas entidades competentes e, sempre que necessário, pelas autoridades próprias, sem que isso permita transformar uma povoação inteira numa realidade uniforme.
Também não podemos aceitar que as questões políticas locais sejam utilizadas como explicação automática para acontecimentos ou denúncias cuja apreciação deve ser feita com base em factos concretos.
O PSD de Silves rejeita, por isso, qualquer tentativa de associar a sua atuação política a uma alegada perseguição pessoal. Divergências políticas fazem parte da democracia, mas não devem ser utilizadas para substituir os factos, nem para lançar suspeitas sobre pessoas ou instituições sem fundamento devidamente demonstrado.
Se existem denúncias ou participações relativas a determinadas situações, compete às entidades legalmente competentes apreciá-las e apurar o que tiver de ser apurado. Não cabe à política antecipar conclusões, nem transformar processos individuais em acusações contra uma comunidade ou contra uma força política.
A transparência deve ser, neste contexto, um princípio essencial.
Transparência significa distinguir claramente factos de opiniões, denúncias de conclusões, responsabilidades individuais de responsabilidades coletivas e acontecimentos relacionados de acontecimentos que não tenham qualquer relação demonstrada entre si.
É também por isso que a discussão pública deve assentar na apresentação clara dos factos. Se existem situações concretas que são denunciadas, devem ser identificadas e apreciadas pelos meios próprios. Se existem acusações que se consideram falsas ou incorretas, devem ser concretamente contraditadas, com factos e documentação. E se existem responsabilidades individuais, estas devem ser apreciadas individualmente.
Não contribui para um debate transparente a utilização de insinuações, associações indiretas ou argumentos destinados a criar uma relação política que os factos, por si só, não demonstram.
Importa ainda sublinhar que o exercício de um cargo público implica escrutínio e exposição pública. É legítimo que a comunicação social questione a atuação dos titulares de cargos públicos e que os cidadãos coloquem questões sobre a forma como o poder público é exercido.
Isso não significa, naturalmente, que qualquer acusação jornalística seja verdadeira. Significa, isso sim, que a resposta deve assentar no esclarecimento objetivo dos factos e não na desqualificação dos autores, na generalização das críticas ou na tentativa de confundir a defesa pessoal de um titular de cargo com a defesa de toda uma comunidade.
O que nos parece essencial neste momento é não permitir que São Marcos da Serra fique reduzida à imagem transmitida por uma reportagem ou pelos comentários de um painel televisivo.
São Marcos da Serra é muito mais do que isso.
É uma terra de pessoas que ali nasceram, de pessoas que regressaram e de outras que escolheram aquela comunidade para viver, trabalhar e constituir família.
É uma terra que merece ser tratada com respeito, rigor, transparência e consideração.
A Comissão Política do PSD de Silves manifesta, por isso, a sua solidariedade para com a população de São Marcos da Serra e reafirma que os problemas concretos daquela comunidade devem ser enfrentados com serenidade, responsabilidade e respeito pela verdade dos factos.
Importa também abordar uma outra questão que surgiu na discussão pública e que, em nosso entender, deve ser tratada com particular transparência.
Não deixa de causar estranheza que, ao mesmo tempo que se critica uma alegada instrumentalização ou perseguição política, seja divulgada publicamente uma lista eleitoral completa do PSD, acompanhada das fotografias dos seus candidatos, apenas para evidenciar que determinada pessoa integrou essa candidatura.
A participação de um cidadão numa lista eleitoral é um facto público, mas não transforma todas as suas ações posteriores em ações do Partido, nem permite, por si só, estabelecer qualquer relação entre essas ações e a estrutura partidária.
Mais do que isso, esta opção acaba por introduzir no debate precisamente a dimensão partidária que se afirma querer denunciar.
Ao identificar publicamente várias pessoas que integraram uma candidatura, quando apenas uma delas é relevante para o argumento apresentado, corre-se o risco de arrastar terceiros para uma discussão com a qual nada têm a ver e de criar uma associação política que os próprios factos não demonstram.
Essas pessoas integraram uma candidatura democrática. Não podem, por esse simples facto, ser responsabilizadas por acontecimentos, posições ou comportamentos posteriores de qualquer outro cidadão.
A transparência exige precisamente que se faça esta distinção.
No limite, quem acusa outros de politizarem uma questão acaba também por fazê-lo quando utiliza uma lista partidária e a identidade política dos seus integrantes como elemento central da sua argumentação.
Se a questão é factual, que se discutam os factos.
Se existem responsabilidades individuais, que sejam individualmente apreciadas.
Se existem acusações, que sejam sustentadas e contraditadas com elementos concretos.
E se existem relações políticas que se pretendem demonstrar, que sejam demonstradas por factos e não por associações construídas a partir da simples presença de alguém numa lista eleitoral.
O que não é legítimo é transformar uma candidatura eleitoral num argumento para atribuir responsabilidade coletiva ou para lançar sobre terceiros uma suspeita que os factos não sustentam.
A democracia exige liberdade de expressão, liberdade de imprensa, direito à crítica e direito à resposta. Mas exige também responsabilidade, transparência e respeito pelos cidadãos que, legitimamente, integram as instituições e as candidaturas democráticas.
É precisamente nessa responsabilidade que deve assentar o debate político.
Durante três mandatos consecutivos, ao longo de 12 anos, o PSD exerceu a presidência da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra. Durante esse período, a freguesia atravessou diferentes desafios e dificuldades, como qualquer comunidade, mas não assistimos ao nível de instabilidade política e institucional que hoje, apenas cerca de um ano após o início do atual mandato, se tornou público.
Esta realidade deve merecer reflexão. Não para alimentar divisões ou reabrir confrontos políticos, mas porque a estabilidade, a confiança nas instituições e a capacidade de diálogo são também responsabilidades de quem exerce funções públicas.
*São Marcos da Serra merece mais consideração. Muito mais consideração.*