Pertence à província de Trás-os-Montes e Alto Douro e é atravessada por uma estrada camarária. Dista do concelho 16 km e da cidade mais próxima (Régua) 26 km. Fica situada numa encosta, rodeada por três rios e duas freguesias. A limita-la aparece a nascente o Sarzedinho; a sul Balsa e Desejosa; a norte-Poente o rio Douro; a norte o rio Torto e a sul o rio Távora. Valença do Douro fica situada a 350 m de altitude, com extensão total de 809 (há), possuidora no total de 509 habitantes. Historial
Na paisagem recortada de montes e vinhedos, está gravada a história de gerações com vários séculos de existência. História feita por homens rudes, por Reis e Frades. O território de Valença do Douro parece ter sido defendido por um importante Castro, situado no ponto mais alto onde se situa Valença - Lugar do Panascal.
À vertente de Sudeste deu-se o nome de Serro da Armada, significando armada, no Norte do País, contudo, existe uma outra versão que diz que neste local se encontravam as tropas, prontas para serem mobilizadas quando necessárias. Antigamente eram os senhores feudais que convocavam os homens para a guerra, os quais eram seus trabalhadores. Toda a zona de Valença do Douro era domínio dos Távoras que residiam no Convento das Águias. O serro da Armada é o limite entre Valença do Douro e o Sarzedinho. Durante esta altura escolhiam-se os pontos mais elevados para daí se fazerem as comunicações entre os exércitos. Esses locais delimitavam as povoações, denominando-se estes de marcos Geodésicos. Havia marcos na Desejosa, serra das Monteiras, Santo Ildefonso e Ervedosa. A comunicação durante o dia era feita através de reflexos de espelhos, e de noite através de fogo. O povoamento desta freguesia deve considerar-se anterior ao século XIII, mercê de vários indícios, como a exploração de ruínas de chumbo por Árabes e Romanos e o povoamento ordenado em 1269 pelo árabe do convento de S. Pedro das Águias. Valença do Douro e o seu extinto concelho
As origens da actual povoação de Valença do Douro remontam à Idade Média, época em que, segundo autores antigos, se extinguiu a povoação de “Perencia” ou “Perença”, cuja memória se guarda de ter sido a sua população dizimada por horrível praga, obrigando o Mosteiro de São Pedro das Águias, em cujo couto se situava, a dar-lhe carta de repovoamento em 1269, dividindo-a em 24 casais e reformulando o seu nome para Valença, “Valença do Moesteiro de Sam Pedro das Águias” ou, simplesmente, “Valença de Sam Pedro das Aguias”. A sua paróquia, antiquíssima, terá sido a de Santa Maria da Foz do Torto, erigida talvez no séc. XI, quiçá a mando da estirpe fundadora do Mosteiro de São Pedro das Águias, mais tarde mudada para dentro da vila de Valença. O actual orago dedicado a S. Gonçalo de Amarante é de origem mais recente, posterior ao segundo quartel do séc. Manuel I lhe deu carta de foral, a 16 de Maio de 1514, existindo no texto do aludido foral a referência à primeira carta de repovoamento. Nele se incluíam as povoações de Balça, Casaes e Desejosa. Em 1527 aparece a referência ao concelho de “Valemça” no Cadastro do Reyno, no qual existiam 73 fogos, divididos pelos lugares de “Valemça” (25), “casaes” (12), “balsa” (6), “desejosa” (5) e lugar de “çarzedinho” (23). O seu termo media “mea legoa em Radomdo e mais nam”, partindo e confrontando “com ho comcelho do castanheiro e com comcelho dervedosa e com ho comcelho de barquos por o Ryo de tavora e com o comcelho de provisende que he da comarca de tralos montes pera o Rio do douro”. Em 1537 aparece referida como pertencendo a Luís Alvares de Távora. Já em 1708, o Padre Carvalho da Costa, aludindo à vila de Valença do Douro, diz que está situada na ladeira de um monte, banhado ao lado Norte pelo rio Douro, de que se apelida. Refere, também que D. Manuel lhe deu foral. Mais se diz que tinha, então, 70 vizinhos (fogos habitacionais), e uma igreja paroquial de São Gonçalo, curato que apresentava o Abade de S. Pedro das Águias, com jurisdição espiritual e temporal. A vila pertenceria, à época, aos Marqueses de Távora. Refere-se, também, a existência de uma Ermida dedicada a Santo António. Em termos económicos era dada como fértil em “paõ, azeite, vinho, legumes, & fumagre”. Em 1758, aquando da redacção das Memórias Paroquiais, se é certo que existem as referentes a Balsa e Desejosa, no que concerne à sede do, então, concelho, Valença do Douro, não chegaram a ser redigidas. Existe apenas a anotação de que era vila da comarca de Trancoso, com câmara e juízes ordinários e suas justiças para governo do povo da vila e do seu termo. Relativamente ao seu governo civil, não deveria diferir muito dos outros concelhos limítrofes sujeitos à casa de Távora, devendo possuir, nomeadamente, dois Juizes Ordinários sujeitos ao Ouvidor da Casa de Távora, um para a vila e outro para o seu termo. Deveriam existir, ainda, dois Vereadores, um Procurador do Concelho, e poucos
Toponímia
Este topónimo “Valença” parece no entanto não ser aqui muito antigo, remontará ao século XIII a crer no que diz Sousa Viterbo fundado em notícias documentais do cartório do mosteiro de S. O local fora povoado desde antigamente de acordo com as circunstâncias arqueológicas descritas; mas uma mortandade por epidemia (peste?) fizera perecer todos os moradores pelo que no século XIII se chamaria Perência ao local. O topónimo “Perência” significaria uma “mortandade” de cuja veracidade dir-se-ia não haver razões para duvidar. Mas, sendo assim, também não se podia alegar antiguidade para tal topónimo já que essa “Perência” não havia passado muito antes. De modo que, se “Valença” não foi a designação primitiva, esta é desconhecida. Quem teria imposto o nome “Valença” ao local? Foi o convento de S. Pedro das Águias, ao aforar o lugar no século XIII para o repovoar. O topónimo, como tal artificialismo, pretendia, talvez, opor-se a “Perência” em significação, para não causar receios supersticiosos ou mórbidos aos povoadores. Nestas circunstâncias, “Valença do Douro”, teria denominação de sentido diverso do de “Valença do Minho”, e os dois topónimos teriam apenas semelhança gráfica. No caso de “Valença do Douro”, deveria, perante tais factos, escrever-se “Valensa” de acordo com o termo arcaico “Valensa” documentado neste passo de um documento do século XIII: “Vobis dabo juvamen, auxilium, valensam et defensionem”. Na transcrição deste documento aparece a palavra “Valensa” e segundo viterbo, no sentido de poder e força. Mas pensa-se que deveria antes significar “ter ou gozar saúde” dentro do intento que presidiu à imposição do topónimo “Valença” oposto de “Perência”. No entanto é muito provável existir nisto qualquer equívoco. De facto devia esperar-se achar na referência mais antiga a este lugar (inquietações de D. Dinis 1288) o termo “Valensa”, acontece porém o contrário: já trás a grafia actual, isto é, “Valença”, ocorre a menção de uma aldeia de nome “Tourente”, de que hoje não aparece vestígio, pois devia tratar-se com toda a certeza duma povoação perto de Valença, como esta era ainda nos finais do século XIII. Património Cultural Edificado
O pelourinho de Valença do Douro fica situado no meio urbano, a meia encosta em superfície plana, isolado, destacado, harmonizado, em pequeno largo em zona de interesse paisagístico. Sobre embasamento artificial desenvolve-se a plataforma composta por três degraus cilíndricos e sobre esta, ergue-se o fuste monolítico de base quadrada chanfrada nos cantos, terminando pelo desfazer dos chanfros, igualmente de perfil quadrangular. Como capitel, bloco quadrangular de igual secção que o remate do fuste com gola boliada a meio, sobre este, tabuleiro quadrandular de maiores dimensões e como remate, peça tronco-piramidal. Igreja Paroquial, não conseguindo precisar a data da construção da antiga igreja, algures entre 1814-1820, caracterizada por uma arquitectura pobre e pequena sem qualquer ordenamento arquitectónico e mesmo de embelezamento, dadas a essas circunstâncias e com grande sacrifício por parte da população e com um grande apoio da Câmara Municipal de Tabuaço foi também recentemente reconstruída de raiz, mostrando-se uma igreja moderna e acolhedora. Senhor da Agonia, é um monumento que caracteriza uma simbologia de culto da igreja, pois é um ponto de referência em todas as procissões efectuadas nas comemorações da paróquia, é um monumento construído em granito em forma de crucifixo e nele esta representado Nosso Senhor Jesus Cristo como que uma representação de dor e clemência. Este monumento esta resguardado por quatro pilares também eles em granito, à sua volta um jardim, fica situado no Bairro de Cimo do Povo. A casa cimeira, foi construída em 1814, é um edifício da burguesia rural, a imponência da sua volumetria com dois pisos e o mirante ao longo de um alçado principal virado para a rua principal com os seus oito vãos bem marcantes e numerosos centrados por uma varanda, marcam uma presença forte no aglomerado. Esta casa foi mandada construir por José Rodrigues Pacheco, descendente da linhagem Pacheco, com brasão e senhores das terras de Ferreira de Ave e Celorico da Beira, do Bispado de Viseu já no séc. Como edifício principal e emblemático de Valença de Douro justifica se a sua classificação, pelo seu passado, pela sua sobriedade particularidade arquitectónica, pela sua actividade económica-social, secular pelo quotidiano e pela sua história que representa para os lugares do Douro Vinhateiro. Meios de Subsistência
A economia de Valença do Douro é o cultivo e comercialização do tão afamado Vinho Generoso. A vinha é sem dúvida a principal fonte de riqueza. A par do cultivo da vinha existe também uma agricultura de subsistência constituída pelo cultivo da batata, hortaliça, feijão e ainda oliveira (na forma do seu mais directo produto – Azeite). No que se concerne ao comércio, nesta freguesia existe o comércio com carácter de auto abastecimento, constituído essencialmente por alguns retalhistas privados que exploram estabelecimentos de mercearia, taberna e café. Existem também uma loja de pronto a vestir, serralharia, pichelaria e construção civil. As Vindimas
A época das vindimas é uma das mais alegres da nossa região. Esta actividade mobiliza homens, mulheres e crianças e realiza-se a partir dos fins de Setembro. Apesar da grande mecanização, que tem havido nesta região, esta é uma actividade que necessita da mão humana. Antigamente vinham grandes grupos de homens e mulheres (rogas) para as vindimas já que não havia gente suficiente em Valença do Douro. Vinha uma roga para cada proprietário. As mulheres traziam um cesto, à cabeça, com a sua roupa e merenda e a cesta para onde cortavam as uvas, no braço. Os homens traziam uma trouxa e um sachinho para segurarem o cesto vindimo. Quando chegavam a casa dos patrões faziam uma grande roda e começavam a cantar e a dar vivas ao patrão, ao feitor e ao rogador. No fim, o patrão, dava de beber a todo o pessoal. Com os homens andava um grupo de músicos, que tocavam harmónio, ferrinhos e bombo para alegrar a vindima, estes acompanhavam sempre os homens que levavam os cestos. Entre os homens havia um que tinha um assobio com o qual orientava o passo dos mesmos, pois andavam em fila e com o passo certo. Quando se ia cortar o primeiro lagar (pisar as uvas), a música deixava de acompanhar os homens para acompanhar os que pisavam as uvas. No início, os homens, lado a lado e abraçados, liderados por um, cortavam o lagar ao mesmo compasso. Depois de cortado o lagar, cantava-se a
“Liberdade”:
Liberdade, liberdade
Quem a tem chame-lhe sua
Eu não tenho liberdade
Nem de pôr o pé na rua. São tão bonitas as carvoeiras
São mais catitas as feiticeiras
Ó que belo rancho, bela mocidade
Cantai raparigas – Viva a liberdade. Depois de se cantar esta canção, os homens dispersavam-se a pisar o vinho. As pessoas da aldeia, à noite, iam todas ver cortar os lagares. No fim da vindima entregavam o ramo aos patrões. Este podia ter diversas formas, sendo o mais usual duas canas em cruz com efeitos de papel ou seda, flores e dois cachos de uvas ( um branco e outro preto). Era a rapariga mais “jeitosa” que o ia entregar. O patrão dava dinheiro para dividir por todos, depois cantava-se e bebia-se vinho generoso. Durante esta faina o ar transbordava de alegrias e cantigas. As uvas eram cortadas ao ritmo das vozes das vindimadeiras. Aspecto Cultural, Social e Recreativo
Desde muito sedo que Valença do Douro se começou a interessar por actividades recreativas e culturais. Assim, teve uma banda de música que, no seu início, por falta de transportes e vias de comunicação, os músicos, bem como os seus instrumentos faziam-se transportar por cavalos. Este grupo desapareceu mas o espírito artístico de Valença do Douro, não morreu, surgindo assim um teatro que em épocas festivais realizavam espectáculos. A tradição das actividades recreativas manteve-se até há uns anos atrás dando sequência ao Grupo Cultural e Recreativo “Os Rabelos”, liderado e fundado pelo antigo Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Joaquim da Costa Guimarães. Era constituído por um grupo de Rancho, Tuna, Zés Pereiras e um Grupo de Teatro. Os Rabelos pela sua qualidade eram bastante conhecidos, actuando a nível local, regional tendo também saídas para o estrangeiro.