20/10/2026
*DEBATE NA BAND: ARROGÂNCIA, CONTRADIÇÕES E PERGUNTAS QUE FLÁVIO BOLSONARO NÃO PODE IGNORAR*
O debate da TV Bandeirantes, realizado em 18 de outubro, deixou evidente um traço preocupante da postura de Flávio Bolsonaro: a arrogância, a provocação e a tentativa de transformar o confronto de ideias em um espetáculo de ataques pessoais. Em vez de apresentar respostas consistentes e explicar questões relevantes de sua trajetória política, o candidato privilegiou a agressividade e as acusações contra o adversário. A cobertura do debate também registrou que diversos questionamentos ficaram sem resposta satisfatória.
Mas quem pretende governar o Brasil precisa responder ao povo! Não basta demonstrar habilidade para provocar o adversário e criar cortinas de fumaça para esconder a ignorância ou a má fé, ocultando suas verdadeiras intenções e projetos que trazem prejuízos ao povo brasileiro . É necessário ter compromisso com a verdade, transparência, respeito à democracia e responsabilidade com os interesses da população.
Entre as questões que continuam exigindo respostas, estão:
Por que o candidato votou contra a ampliação da Licença-maternidade para as mulheres trabalhadoras?
Qual foi o objetivo da proposta legislativa associada à retirada da marcação de munições e quais seriam suas consequências para o rastreamento de armas e o combate ao crime?
Como explicar a aquisição de um imóvel de alto valor, qual a origem dos recursos diante da incompatibilidade com sua renda declarada?
O assunto exige provas documentais, não apenas declarações políticas.
Que tipo de relações e circunstâncias levaram-no a homenagear um miliciano e a contratar pessoas apontadas como ligadas a milícias e familiares? A sociedade merece explicações transparentes sobre esses fatos.
Quanto ao caso de Daniel Vorcaro, e o desvio de milhões da previdência por meio do Banco Master,
qual o tipo de relação entre o Vorcaro e Flávio e por que articulou o montante de R$ 134 milhões para supostamente financiar um filme sobre Jair Bolsonaro?
A destinação, beneficiários e a forma de transferência e garantias de transparência na destinação da verba, reconhecida pelo próprio senador, como negociada em forma de apoio financeiro para patrocínio privado. A dimensão do valor torna indispensável a prestação de contas transparente ao público.
Em relação ao fim da escala 6x1, por que a proposta foi tratada anteriormente pelo candidato como inoportuna e eleitoreira, que só passou a declarar apoio à mudança no dia da votação, de forma aparentemente oportunista, diante de sua recente defesa do trabalho por hora, reforçando a posição já conhecida do trabalho intermitente, incompatível com um projeto de proteção ao direito trabalhista e reforçando o poder patronal?
E, principalmente, qual é sua proposta concreta?
A mudança de discurso exige explicações e compromissos verificáveis.
Especialmente , diante de declarações do candidato de que pretende adotar o modelo econômico argentino no Brasil. Essas medidas inspiradas no governo Javier Milei, que já demonsta consequências arrasadoras no poder de compra da população, desvalorização dos salários, recessão devido à dolarização da economia e desvalorização da moeda argentina, perda da qualidade de vida dos aposentados com aumento da mortalidade nessa parcela da população. O que leva o candidato a crer que o resultado no Brasil seria positivo?
E existe uma questão especialmente importante para os servidores públicos: qual é o verdadeiro projeto de Flávio Bolsonaro para o Estado brasileiro?
As declarações de sua assessora econômica, Daniella Marques, e as propostas de enxugamento do Estado levantam preocupações que precisam ser enfrentadas. Se há planos de substituir servidores por inteligência artificial, quais carreiras seriam atingidas? Haverá demissões? Quais serviços públicos seriam afetados? Como ficariam a educação, a saúde, a previdência e o atendimento à população?
A categoria técnico-administrativa em educação não pode ignorar essas perguntas. Somos trabalhadores que sustentam diariamente o funcionamento das universidades e dos institutos federais. Defender o serviço público significa defender o direito da população à educação, à ciência, à tecnologia e a políticas públicas capazes de reduzir as desigualdades.
Não aceitaremos que a modernização tecnológica seja utilizada como justificativa para desvalorizar trabalhadores, extinguir postos de trabalho ou enfraquecer instituições públicas. A inteligência artificial deve servir à sociedade e melhorar os serviços, não se transformar em instrumento para precarizar o trabalho e retirar direitos.
O debate também revelou a importância de distinguir promessas eleitorais de compromissos efetivos. O apoio anunciado ao fim da escala 6x1, por exemplo, precisa ser confrontado com as posições anteriores e com as propostas concretas de cada candidatura. Trabalhadores não precisam de discursos oportunistas: precisam de direitos garantidos.
E, agora, queremos saber se Flávio Bolsonaro atenderá ao desafio de abrir seus sigilos bancários, telefonicos e fiscais.
A democracia exige mais do que retórica. Exige coerência, ética, transparência e compromisso com a maioria da população.
No próximo dia 25 de outubro, estará em disputa não apenas a Presidência da República, mas também o futuro das políticas públicas, dos direitos sociais, da valorização do trabalho e do serviço público brasileiro.
Para os técnico-administrativos em educação, a escolha precisa considerar quem está efetivamente comprometido com a defesa da educação pública, o fortalecimento das instituições federais, a valorização da categoria, o cumprimento dos acordos firmados e a ampliação de direitos.
A arrogância não responde às perguntas. As provocações não substituem propostas. E as mudanças de discurso não apagam posições anteriores.
O Brasil precisa de respostas, não de encenações. Precisa de compromisso com os trabalhadores, não de projetos que coloquem os direitos sociais e os serviços públicos em risco.
No dia 25 de outubro, vamos defender a democracia, a educação pública, os direitos da classe trabalhadora e um projeto de governo comprometido com as reivindicações históricas dos técnico-administrativos em educação.
*Nosso voto tem consequências. Nossa mobilização faz a diferença. E nossos direitos não estão à venda!*