03/11/2026
𝙎𝙖𝙗𝙞𝙖 𝙦𝙪𝙚... ⁉️
… 𝗘𝗺 𝟭𝟯𝟱𝟲, 𝗻𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝟮𝟰 𝗱𝗲 𝗔𝗴𝗼𝘀𝘁𝗼 – 𝗗𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗦. 𝗕𝗮𝗿𝘁𝗼𝗹𝗼𝗺𝗲𝘂 – 𝗟𝗶𝘀𝗯𝗼𝗮 𝗳𝗼𝗶 𝗮𝗯𝗮𝗹𝗮𝗱𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝘂𝗺 𝘃𝗶𝗼𝗹𝗲𝗻𝘁𝗼 𝘀𝗶𝘀𝗺𝗼, 𝗰𝘂𝗷𝗮 𝗺𝗮𝗴𝗻𝗶𝘁𝘂𝗱𝗲 𝗽𝗼𝗱𝗲𝗿𝗮́ 𝘁𝗲𝗿 𝘀𝗶𝗱𝗼 𝗽𝗿𝗼́𝘅𝗶𝗺𝗮 𝗱𝗮 𝗱𝗼 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮𝗺𝗼𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝟭 𝗱𝗲 𝗡𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼, 𝗱𝗲 𝟭𝟳𝟱𝟱.
📌 𝐎 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚𝐦𝐨𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐋𝐢𝐬𝐛𝐨𝐚
🔻 Segundo o “Livro das Eras”, entre outras fontes que registam o episódio, 𝑡𝑟𝑒𝑚𝑒𝑢 𝑎 𝑡𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒 𝑝𝑜𝑟 𝑡𝑎𝑙 𝑔𝑢𝑖𝑠𝑠𝑎 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑝𝑎𝑎𝑠 𝑠𝑒 𝑡𝑎𝑛𝑔𝑖𝑎𝑜𝑛 𝑛𝑜𝑠 𝑐𝑎𝑚𝑝𝑎𝑛𝑎́𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑠𝑒𝑢 𝑒 𝑚𝑢𝑦𝑡𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑠𝑎𝑠 𝑡𝑜𝑟𝑟𝑒𝑠 𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑡𝑒𝑙𝑜𝑠 𝑐𝑎𝑦𝑟𝑜𝑛.
▪️O sismo do dia de S. Bartolomeu provocou danos em praticamente toda a região centro e sul de Portugal, havendo notícia de danos avultados, por exemplo, em Silves e em muitas outras povoações algarvias.
▪️Mas este abalo foi também sentido na Andaluzia, nomeadamente em Sevilha onde, segundo o cronista Pero López de Ayala, 𝑐𝑎𝑦𝑒𝑟𝑜𝑛 𝑙𝑎𝑠 𝑚𝑎𝑛𝑧𝑎𝑛𝑎𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑏𝑎𝑛 𝑒𝑛 𝑙𝑎 𝑡𝑜𝑟𝑟𝑒 𝑑𝑒 𝑆𝑎𝑛𝑐𝑡𝑎 𝑀𝑎𝑟𝑖́𝑎 𝑑𝑒 𝑆𝑒𝑣𝑖𝑙𝑙𝑎, 𝑒 𝑡𝑟𝑒𝑚𝑖𝑜́ 𝑙𝑎 𝑡𝑖𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒𝑛 𝑚𝑢𝑐ℎ𝑜𝑠 𝑙𝑜𝑔𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒𝑙 𝑟𝑒𝑔𝑛𝑜 𝑒𝑛 𝑎𝑞𝑢𝑒𝑙 𝑑𝑖́𝑎.
▪️Ora o facto de ter afectado com maior violência a região Sul de Portugal e de Castela, sugere que teve o seu epicentro – tal como o de Novembro de 1755 – no Atlântico, a sudoeste do cabo de S. Vicente.
▪️Não são conhecidos em detalhe os efeitos provocados em Lisboa por este terramoto, mas é seguro que causou danos consideráveis na capela-mor da Sé, designadamente na capela que Afonso IV – que viria a morrer no ano seguinte – aí mandara edificar e onde pretendia ser sepultado.
▪️As fontes indicam também a ruína de quatro fornos e nas estruturas de defesa da cidade, nomeadamente o colapso de algumas torres e panos de muralha.
▪️Mas esta é, decerto, uma pálida imagem do que efectivamente foi destruído, desconhecendo-se igualmente qualquer balanço de vítimas.
❗️Deste sismo ficou uma curiosa memória gravada numa parede do castelo de Lisboa e na qual se regista precisamente que “No dia de S. Bartolomeu tremeu a terra”.
(Texto adaptado e partilhado da página de Facebook do Gabinete de Estudos Olisiponenses 👇
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1684413308395419&id=402701926566570)
👉 𝐏𝐚𝐫𝐚 𝐬𝐚𝐛𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐢𝐬:
Marisa Costa e João F.B.D. Fonseca, “Sismicidade Histórica em Portugal no Período Medieval”, disponível em👇 https://www.academia.edu/277108/Sismicidade_hist%C3%B3rica_em_Portugal_no_per%C3%ADodo_medieval
📸 "Terramoto de Basileia de 1356" - Xilogravura da Cosmographia de Sebastian Münster, 1588
𝐎 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚𝐦𝐨𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐋𝐢𝐬𝐛𝐨𝐚
Em 1356, no dia 24 de Agosto – Dia de S. Bartolomeu – Lisboa foi abalada por um violento sismo, cuja magnitude poderá ter sido próxima da do terramoto de 1755. Segundo o “Livro das Eras”, entre outras fontes que registam o episódio, 𝑡𝑟𝑒𝑚𝑒𝑢 𝑎 𝑡𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒 𝑝𝑜𝑟 𝑡𝑎𝑙 𝑔𝑢𝑖𝑠𝑠𝑎 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑝𝑎𝑎𝑠 𝑠𝑒 𝑡𝑎𝑛𝑔𝑖𝑎𝑜𝑛 𝑛𝑜𝑠 𝑐𝑎𝑚𝑝𝑎𝑛𝑎́𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑠𝑒𝑢 𝑒 𝑚𝑢𝑦𝑡𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑠𝑎𝑠 𝑡𝑜𝑟𝑟𝑒𝑠 𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑡𝑒𝑙𝑜𝑠 𝑐𝑎𝑦𝑟𝑜𝑛.
O sismo do dia de S. Bartolomeu provocou danos em praticamente toda a região centro e sul de Portugal, havendo notícia de danos avultados, por exemplo, em Silves e em muitas outras povoações algarvias. Mas este abalo foi também sentido na Andaluzia, nomeadamente em Sevilha onde, segundo o cronista Pero López de Ayala, 𝑐𝑎𝑦𝑒𝑟𝑜𝑛 𝑙𝑎𝑠 𝑚𝑎𝑛𝑧𝑎𝑛𝑎𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑏𝑎𝑛 𝑒𝑛 𝑙𝑎 𝑡𝑜𝑟𝑟𝑒 𝑑𝑒 𝑆𝑎𝑛𝑐𝑡𝑎 𝑀𝑎𝑟𝑖́𝑎 𝑑𝑒 𝑆𝑒𝑣𝑖𝑙𝑙𝑎, 𝑒 𝑡𝑟𝑒𝑚𝑖𝑜́ 𝑙𝑎 𝑡𝑖𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒𝑛 𝑚𝑢𝑐ℎ𝑜𝑠 𝑙𝑜𝑔𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒𝑙 𝑟𝑒𝑔𝑛𝑜 𝑒𝑛 𝑎𝑞𝑢𝑒𝑙 𝑑𝑖́𝑎. Ora o facto de ter afectado com maior violência a região Sul de Portugal e de Castela, sugere que teve o seu epicentro – tal como o de Novembro de 1755 – no Atlântico, a sudoeste do cabo de S. Vicente.
Não são conhecidos em detalhe os efeitos provocados em Lisboa por este terramoto, mas é seguro que causou danos consideráveis na capela-mor da Sé, designadamente na capela que Afonso IV – que viria a morrer no ano seguinte – aí mandara edificar e onde pretendia ser sepultado. As fontes indicam também a ruína de quatro fornos e nas estruturas de defesa da cidade, nomeadamente o colapso de algumas torres e panos de muralha. Mas esta é, decerto, uma pálida imagem do que efectivamente foi destruído, desconhecendo-se igualmente qualquer balanço de vítimas. Deste sismo ficou uma curiosa memória gravada numa parede do castelo de Lisboa e na qual se regista precisamente que “No dia de S. Bartolomeu tremeu a terra”.
Tudo indica que no ano seguinte, pelo menos em Lisboa, se tenha feito sentir um outro abalo, mas acerca do qual pouco de sabe, se bem que não seja difícil de imaginar que tenha vindo agravar substancialmente o rasto de destruição provocado em 1356. O abalo de 1357 afectou igualmente outras zonas do reino e as suas muralhas e castelos, pelo que, confrontado com as avultadas despesas que a sua reparação iria acarretar, o rei D. Pedro I, que ascendeu ao trono nesse mesmo ano, enviou ao Papa uma súplica através da qual lhe solicitava as décimas dos rendimentos eclesiásticos do reino, um pedido que, no entanto, foi recusado pela Santa Sé.
𝐏𝐚𝐫𝐚 𝐬𝐚𝐛𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐢𝐬:
Marisa Costa e João F.B.D. Fonseca, “Sismicidade Histórica em Portugal no Período Medieval”, disponível em https://www.academia.edu/277108/Sismicidade_hist%C3%B3rica_em_Portugal_no_per%C3%ADodo_medieval
Imagem
Terramoto de Basileia de 1356 - Xilogravura da Cosmographia de Sebastian Münster, 1588