31/10/2026
Há pernas, braços e cabeças espalhados na sala de operações. São de borracha ou porcelana e estão à disposição dos cirurgiões. Afinal, este hospital aceita praticamente todos os casos, alguns deles só possíveis de tratar pela vasta experiência das médicas e enfermeiras de plantão no Hospital de Bonecas. São doentes que chegam com cabeças partidas ou outras enfermidade, mas há também os casos mais simples, de gripes ou constipações.
O segredo está na atenção que, desde 1830, a família de Manuela Cutileiro dedica a todos os doentes. “Nós somos um hospital e nos hospitais os doentes têm o mesmo valor e devemos ter por eles o mesmo cuidado”, conta-nos a D.ª Manuela. “Como médicos e enfermeiros temos várias especialidades”, desde a sala da cirurgia plástica ou a dos politraumatizados, até à especialidade de Psicologia: “muitas vezes as coisas que nos cá chegam têm uma carga afetiva muito grande”, diz-nos.
O desafio do ofício é recorrer a materiais que o passar do tempo modificou. Mas, os anos de experiência da equipa trazem as soluções: “Utilizamos pinças de cirurgia, colas de diferentes marcas e qualidades. Temos de usar os materiais o mais próximos possível dos antigos. Muitas vezes, temos de improvisar”.
O espaço de museu, com um espólio de centenas de bonecas e várias salas, é, nas palavras da Diretora do Hospital, “um grande quarto de brinquedos” que quer mostrar como se brincava antigamente.
Manuela Cutileiro e a sua equipa de “cirurgiões” das bonecas continuam a receber todos os que precisem de se curar e espera que os históricos 200 anos de casa, no n.º 7 da Praça da Figueira, se cumpram.